O PT (Partido dos Trabalhadores) readequou mais uma vez a rota e definiu uma nova narrativa na crise do STF (Supremo Tribunal Federal).
A estratégia definida pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passa pelo discurso de que os embates na Suprema Corte são usados para blindar o principal adversário na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e que não há, no caso Dark Horse, medidas de busca e apreensão ou cautelares.
Lula foi ao seu QG de campanha nesta quarta-feira (9) e discutiu estratégias com aliados. Até então, petistas estavam em compasso de espera pelo “tom do governo” para calibrar a reação aos fatos mais recentes da crise no Supremo.
Desde os desdobramentos do caso Lulinha e da retirada de sigilo de parte do processo do Master que conecta o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes, o PT tem adotado a linha de que é preciso retirar o sigilo do caso Dark Horse.
A linha crítica aos vazamentos e a defesa da quebra completa dos sigilos também foi adotada por Lula nas redes sociais. A publicação aconteceu enquanto o mandatário ainda estava reunido em seu QG, que fica em região nobre de Brasília.
“É urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade“, escreveu o petista.
A investigação mira o financiamento do filme que homenageia o ex-presidente Jair Bolsonaro e o pedido de dinheiro de Flávio em um áudio ao ex-banqueiro.
O PT alega que o ministro André Mendonça atua com parcialidade para influenciar na eleição. Internamente, há discussões sobre começar a defender também a ideia de suspeição do ministro no caso.
O secretário nacional de comunicação do PT, Éden Valadares, fala em intromissão de Mendonça nas eleições e fala em sigilo seletivo.
“A crise institucional que se instalou no Supremo Tribunal Federal está sendo transformada em instrumento eleitoral pelo ministro relator do caso do Master ao barrar investigações sobre Flávio Bolsonaro e ao ser parcial nas apurações sobre o banqueiro Daniel Vorcaro”.
Na decisão desta quarta-feira (9), que reconduziu Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da PF (Polícia Federal), o ministro Flávio Dino ressalta que o fato de André Mendonça conhecer Vorcaro torna “mais grave” a interferência do ministro no caso.
A determinação de Dino é defendida por uma ala do PT, mas rende preocupação em outra com a possibilidade de render mais abalos na campanha do que os já sentidos até aqui. O discurso que une as duas alas é o de que o presidente do STF, Edson Fachin, deve arbitrar no caso.
O presidente do PT, Edinho Silva, também tem apostado em manifestações na rede para guiar a militância. Em um vídeo publicado nessa terça-feira (8), o dirigente disse que a crise deixa a sociedade brasileira estarrecida e afirmou confiar na autoridade de Fachin para restabelecer o bom funcionamento do STF.

