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Paquistão pede ao Irã recuo de Houthis em meio a crise com Arábia Saudita

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Paquistão pede ao Irã recuo de Houthis em meio a crise com Arábia Saudita

O Paquistão transmitiu ao Irã um alerta da Arábia Saudita para que contenha seus aliados houthis do Iêmen, após estes intensificarem os ataques contra o reino, em um esforço coordenado para evitar que a crise saia de controle, segundo fontes sauditas, paquistanesas e iranianas.

Na terça-feira (8), os houthis atingiram uma base aérea em Khamis Mushait e infraestruturas petrolíferas em cidades vizinhas, ferindo 73 pessoas, em um dos maiores ataques à Arábia Saudita desde o início da guerra entre EUA/Israel e Irã, em fevereiro.

O porta-voz militar houthi, Yahya Saree, afirmou nesta quarta-feira (9) que aviões de guerra sauditas realizaram 54 ataques aéreos em várias províncias iemenitas nas últimas 12 horas, acrescentando que tais ações “não ficariam sem resposta nem sem punição”.

A escalada do conflito, que representa uma segunda frente de guerra ameaçando o abastecimento global de energia, ocorre no momento em que o Irã e os Estados Unidos travam sua maior onda declarada de ataques de retaliação mútua contra embarcações na região do Golfo desde o início da guerra entre eles.

O alerta do Paquistão ao Irã tem peso significativo devido ao pacto de defesa que o país mantém com a Arábia Saudita e a Turquia.

Embora autoridades em Islamabad tenham ressaltado que qualquer atuação militar se limitaria à defesa do território saudita, o ministro da Defesa do país, Khawaja Asif, disse que ataques que se estendessem ao reino poderiam acionar um acordo de segurança conjunta envolvendo a Arábia Saudita, o Paquistão e a Turquia.

“Uma agressão contra um país será considerada uma agressão contra os três países”, disse Asif na televisão paquistanesa.

“Não há ambiguidade ou dúvida… Uma agressão não provocada ou uma extensão do conflito… para a Arábia Saudita certamente tornará este acordo operacional.”

O Ministério da Defesa, o Ministério das Relações Exteriores e as Forças Armadas do Paquistão não responderam a um pedido de comentário da Reuters.

Temores de que conflito se transforme em crise regional

A intervenção do Paquistão, após anos equilibrando laços com a Arábia Saudita e o Irã, ressaltou a gravidade dos ataques houthis. A mensagem para Teerã é clara: contenha os houthis ou corra o risco de transformar um conflito por procuração em uma crise de segurança regional mais ampla, disseram as fontes.

Um diplomata regional de alto escalão afirmou que o Paquistão transmitiu a mensagem ao Irã entre esta terça e quarta-feira, instando Teerã a usar sua influência para interromper os ataques houthis contra a Arábia Saudita.

Uma autoridade iraniana de alto escalão confirmou que o Paquistão transmitiu a mensagem a Teerã na terça-feira, e a resposta de Teerã foi que “o Irã não controla os houthis”.

No entanto, duas fontes iranianas afirmaram que Teerã havia instruído os houthis, na semana passada, a realizar ataques contra a Arábia Saudita. Teerã prometeu financiamento e armamento adicionais, segundo elas, enquanto vários comandantes da Guarda Revolucionária Islâmica viajaram ao Iêmen para ajudar a coordenar os ataques.

O diplomata regional disse que Islamabad buscava conter os houthis antes que a escalada chegasse a um ponto em que Riad pudesse pressionar o Paquistão a desempenhar um papel mais ativo em sua defesa.

“O Paquistão tem um acordo com a Arábia Saudita, mas estou otimista de que a situação não chegará ao ponto em que o Paquistão tenha de intervir na prática”, disse o diplomata à Reuters. “Por enquanto, buscará uma solução diplomática.”

Apoio paquistanês aos sauditas

A fonte paquistanesa informou que autoridades sauditas se reuniram com representantes militares de alto escalão do país e da Turquia em Riad para coordenar a resposta. Os três países concordaram que suas tropas não entrariam no Iêmen e que qualquer resposta seria lançada a partir do território saudita, acrescentou a fonte.

Uma segunda fonte paquistanesa afirmou que nenhuma decisão havia sido tomada sobre a participação em ataques de retaliação, ressaltando que o pacto militar com Riad era de natureza defensiva e limitado à proteção do território saudita. As forças armadas poderiam fornecer apoio militar, técnico, terrestre ou aéreo dentro da Arábia Saudita, mas não participariam de operações de combate em solo estrangeiro, disse a fonte.

A campanha de pressão conduzida pelo Irã e pelos houthis poderia ter o efeito oposto ao pretendido por Teerã, observou o diplomata regional.

Ao atacar a segurança do Golfo na tentativa de pressionar Washington em relação ao bloqueio de portos iranianos, Teerã corre o risco de levar a Arábia Saudita, o Paquistão, a Turquia e outros Estados alinhados aos EUA a uma coordenação de segurança mais estreita, em vez de fragmentar seus laços.

Bloqueio de Trump ao Irã deve continuar

Autoridades regionais também veem poucos sinais de que Washington esteja disposto a ceder.

O presidente americano Donald Trump parece determinado a manter o bloqueio dos EUA até que o Irã chegue a um acordo com Washington, disse o diplomata, enquanto o Catar explora discretamente novas propostas para trazer ambos os lados de volta à mesa de negociações.

Outra fonte regional afirmou que a resposta militar da Arábia Saudita continuaria focada nos houthis, e não no próprio Irã. Autoridades sauditas também não acreditam que os ataques houthis alcançarão o objetivo mais amplo de Teerã de acabar com o bloqueio dos EUA.

Não se espera que Riad pressione Washington a suspender o bloqueio, disse a fonte, ressaltando que Trump acredita que a coerção econômica sustentada é o caminho mais eficaz para as negociações.

“A questão é quanta dor o Irã consegue suportar, e por quanto tempo”, disse a fonte. “Trump não quer uma solução militar. Ele quer pressioná-los por meio do bloqueio.”

Quem são os Houthis, grupo do Iêmen apoiado pelo Irã?

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