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Heringer ganha prazo até 2027 para regularizar ações em circulação na B3

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Heringer ganha prazo até 2027 para regularizar ações em circulação na B3

A Fertilizantes Heringer terá até o fim de 2027 para adequar o percentual de ações em circulação no mercado, o chamado free float, às regras do Novo Mercado da B3. A companhia informou nesta terça-feira (9) que recebeu comunicação da bolsa autorizando uma nova extensão do prazo, que anteriormente terminava em 31 de dezembro de 2026.

A decisão foi tomada pela Diretoria Executiva da B3 de forma automática e extraordinária, considerando o prazo para o enquadramento da companhia e o cenário macroeconômico. Com a extensão, a Heringer passa a ter mais 12 meses para atingir o percentual mínimo de ações em circulação previsto no artigo 10 do Regulamento do Novo Mercado.

O free float corresponde à parcela das ações de uma companhia que está efetivamente disponível para negociação no mercado, excluindo, entre outros casos, papéis detidos por controladores. A exigência busca assegurar uma quantidade mínima de ações em circulação e, consequentemente, maior liquidez dos papéis negociados na bolsa.

No caso da Heringer, a questão está relacionada à forte concentração acionária. Em 30 de junho de 2026, aproximadamente 10,02% das ações da companhia permaneciam em circulação no mercado. A empresa possui 53,86 milhões de ações ordinárias.

A estrutura acionária mudou de forma relevante nos últimos anos após a entrada da EuroChem no controle da companhia. Em junho de 2023, a empresa realizou um leilão de oferta pública para aquisição de ações ordinárias adicionais e passou a deter, direta e indiretamente, aproximadamente 79,98% do capital social da Heringer.

A companhia está listada no Novo Mercado da B3 e tem as ações ordinárias negociadas sob o código FHER3. A própria B3 mantém a Heringer entre as empresas listadas no segmento de mais alto nível de governança da bolsa.

Situação operacional

A extensão do prazo ocorre enquanto a Heringer ainda enfrenta um processo de recuperação operacional e financeira. No segundo trimestre de 2026, a companhia entregou 103 mil toneladas de fertilizantes, queda de 62,4% em relação às 274 mil toneladas registradas no mesmo período de 2025.

No acumulado do primeiro semestre, foram 305 mil toneladas, redução de 51,5% na comparação anual. Segundo a empresa, a queda esteve principalmente relacionada à diminuição do número de plantas ativas operadas pela companhia.

A receita líquida também caiu 54,8% no segundo trimestre, para R$ 316,5 milhões. No primeiro semestre, a receita somou R$ 841,8 milhões, recuo de 47,6% em relação aos seis primeiros meses de 2025.

Apesar da redução do faturamento, o resultado bruto do segundo trimestre ficou positivo em R$ 16,7 milhões, revertendo o prejuízo bruto de R$ 19,2 milhões registrado um ano antes. O Ebitda, embora ainda negativo, melhorou de uma perda de R$ 76,3 milhões no segundo trimestre de 2025 para R$ 3,4 milhões no mesmo período de 2026.

O resultado líquido, porém, permaneceu negativo. A Heringer registrou prejuízo de R$ 37,3 milhões no segundo trimestre, ante perda de R$ 28,9 milhões um ano antes. No primeiro semestre, o prejuízo líquido foi de R$ 22,6 milhões, contra lucro de R$ 30,7 milhões no mesmo período de 2025.

A companhia encerrou o primeiro semestre com R$ 89,7 milhões em disponibilidades. As demonstrações financeiras também mostram patrimônio líquido negativo de aproximadamente R$ 1,34 bilhão em 30 de junho de 2026.

A Heringer afirmou que continuará informando os acionistas e o mercado sobre eventuais desdobramentos relacionados ao free float. Com a decisão da B3, o novo prazo para regularização passa a ser 31 de dezembro de 2027.

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