Voos de aeroportos britânicos foram retomados no início desta quarta-feira (9), após uma grande falha no controle de tráfego aéreo, mas os principais terminais alertaram que a normalização das operações levará tempo, já que a interrupção deixou aeronaves fora de suas posições.
A paralisação de várias horas na terça-feira (8) provocou o cancelamento de mais de 1.300 voos e deixou centenas de milhares de passageiros sem conseguir viajar, aumentando a pressão sobre a NATS, provedora de controle de tráfego aéreo do Reino Unido.
Com a retomada das operações, o Aeroporto de Heathrow, principal terminal de Londres e um dos maiores da Europa, orientou os passageiros a consultar suas companhias aéreas antes de seguir para o aeroporto, pois os horários foram alterados em razão dos problemas de terça-feira. O aeroporto de Gatwick divulgou uma orientação semelhante pouco depois.
Segundo o Flightradar24, 177 voos foram cancelados até agora nesta quarta-feira, quase todos em Heathrow.
Na terça-feira (8), os painéis de voos dos aeroportos de Heathrow, Gatwick e Stansted, em Londres, mostravam dezenas de voos atrasados ou cancelados. Outros aeroportos, como o de Manchester, Gasglow, Edimburgo e East Midlands também registraram interrupções. O problema chegou até Dublin, na Irlanda, segundo a administração do local.
Histórico de falhas
Esta é a segunda grande falha em dois anos a afetar passageiros em Heathrow, o sétimo aeroporto mais movimentado do mundo em 2025 em número de passageiros, segundo dados do Conselho Internacional de Aeroportos (ACI). Mais de 84 milhões de pessoas passaram pelo aeroporto no ano passado.
A companhia aérea irlandesa de baixo custo Ryanair, a maior da Europa, informou que 65 mil de seus passageiros foram afetados pelo problema e que mais de 50 voos programados foram cancelados.
A empresa responsável pelo sistema afetado informou na terça-feira que o problema havia sido corrigido, mas os atrasos nos aeroportos continuaram.
A recuperação do sistema “levou mais tempo do que esperávamos”, afirmou a NATS, principal provedora de serviços de controle de tráfego aéreo do Reino Unido, em comunicado.
“Sabemos que isso é extremamente frustrante e pedimos desculpas sem reservas”, afirmou a NATS, acrescentando que o sistema agora opera normalmente e que a empresa trabalha para eliminar o acúmulo de voos.
As redes sociais foram tomadas por passageiros que expressaram frustração e compartilharam fotos de enormes filas que se formaram nos saguões dos aeroportos.
Um usuário do X classificou a situação como “a experiência mais estressante e decepcionante” que já teve com qualquer meio de transporte. Segundo ele, a British Airways ofereceu uma alternativa de viagem que duraria “24 horas e quatro voos” para uma viagem a Roma que normalmente leva 2h30.
Josie Donoghue ficou presa por três horas dentro de um avião no aeroporto de Gatwick antes que seu voo da Ryanair para a Irlanda fosse cancelado, segundo a agência de notícias Associated Press.
“Passar por aquele aeroporto foi como tentar sair de Alcatraz”, disse ela à agência, em referência à antiga prisão localizada em uma ilha na Baía de São Francisco. “É um pesadelo absoluto lá embaixo. É a única palavra que posso usar para descrever.”

Alguns usuários das redes sociais também elogiaram os funcionários em terra pela ajuda durante a situação caótica.
Os efeitos da falha também foram sentidos em outros países.
A Air India informou, em uma publicação no X, que o problema obrigou a companhia aérea de bandeira da Índia a “desviar, atrasar ou cancelar vários voos programados de e para aeroportos do Reino Unido”.
A Qatar Airways também alertou para atrasos e possíveis mudanças de rota em voos de e para o Reino Unido.
Em comunicado divulgado na terça-feira, o diretor de operações da Ryanair, Neal McMahon, pediu a renúncia do presidente-executivo da NATS, Martin Rolfe.
Ele fez referência à falha no controle de tráfego aéreo da NATS em 2023, que provocou transtornos nas viagens por vários dias. “Famílias viajando de férias, pessoas viajando a trabalho e milhares de visitantes no Reino Unido mais uma vez pagaram o preço pelo fracasso vergonhoso da NATS”, afirmou McMahon.
Diante das críticas, Rolfe defendeu a organização. Em entrevista à emissora pública BBC, ele afirmou que os sistemas da NATS são adequados para a finalidade e pediu desculpas pelo problema ocorrido na terça-feira.
“Embora nunca queiramos que essas coisas aconteçam — e peço desculpas sinceramente pelo fato de ter acontecido hoje —, acredito que estamos preparados para cumprir nossa função”, afirmou.
Desde o episódio de 2023, aeroportos britânicos enfrentaram grandes falhas todos os anos.
No ano passado, Heathrow foi fechado após uma “grande queda de energia” provocada por um incêndio de grandes proporções nas proximidades. O fechamento causou um caos no transporte aéreo mundial, afetando os planos de passageiros e milhares de voos. As perdas financeiras decorrentes da interrupção eram estimadas em centenas de milhões de libras.
Em 2024, uma falha global em um software de tecnologia da informação provocou atrasos generalizados e problemas operacionais em aeroportos de todo o mundo, incluindo no Reino Unido.
Sobre o episódio mais recente, a secretária de Transportes do Reino Unido, Heidi Alexander, afirmou no X que está “buscando garantias de que as lições serão aprendidas e de que os sistemas que dão suporte à aviação estão à altura de sua função”.
*Com informações da Reuters

