À Reuters, a AfD afirmou que Merz estava deliberadamente deturpando sua posição como forma de demonizar o partido, e afirmou que suas políticas são legais.
Merz está tentando recuperar a iniciativa após a derrota eleitoral de domingo (6) e seus índices de aprovação, que atingiram níveis historicamente baixos, colocaram em questão sua posição e o programa de reformas de seu governo. Ele rejeitou sugestões de que poderia renunciar.
“Se o que está sendo defendido aqui, a saber, a ‘remigração’, se tornasse realidade, não seria nada além de um sinônimo de limpeza étnica com base na origem e na cor da pele”, disse Merz, em resposta a um discurso anterior da colíder da AfD, Alice Weidel.
Merz também criticou os apelos da AfD para que se encerrasse o apoio à Ucrânia, acusando o partido de estar “firmemente do lado da Rússia”, mesmo após um ataque planejado com drones a um aeroporto alemão no mês passado, que, segundo Merz, foi realizado por Moscou. A Rússia nega.
A AfD foi classificada como extremista de direita pelo escritório regional do serviço de inteligência interna da Alemanha. Em seu programa eleitoral na Saxônia-Anhalt, o partido defendeu políticas de “remigração” para acelerar as deportações de requerentes de asilo rejeitados e criminosos estrangeiros, além de incentivar as pessoas a partirem voluntariamente.
O partido também quer que os filhos de refugiados sejam ensinados em turmas segregadas.
“Por ‘remigração’, a AfD se refere à deportação consistente — de acordo com a lei — de todos os estrangeiros obrigados a deixar o país; nada mais. O chanceler Merz também sabe disso”, disse o deputado da AfD Bernd Baumann em um email à Reuters.
“No entanto, atribuir à AfD a limpeza étnica como objetivo político é uma tentativa desesperada e sórdida de manter uma ‘barreira de proteção’ por meio de uma demonização inventada.”
Merz disse que forçar os imigrantes a partir criaria uma escassez de mão de obra qualificada que acabaria sendo um tiro que sai pela culatra.
“Nenhuma casa de repouso funcionará. Nenhum hospital na Alemanha permanecerá operacional, e nenhum restaurante conseguirá se manter no mercado — esse seria o resultado da política de remigração deles”, disse.

