Ulrich Siegmund, do partido de extrema direita AfD (Alternativa para a Alemanha), é o provável próximo líder do parlamento estadual da Saxônia-Anhalt, no leste do país, após uma vitória eleitoral histórica.
O ex-vendedor de perfumes, de 35 anos, apresentou pontos que pretende concretizar nos primeiros 100 dias de mandato, como parte de seu manifesto eleitoral “Visão 2026”.
O AfD conquistou quase 44% dos votos no domingo (6), mas não alcançou a maioria absoluta na legislatura estadual. O partido espera atrair parlamentares conservadores individualmente para conseguir governar.
Mídia e Cultura
As emissoras públicas têm sido um dos principais alvos da campanha de Siegmund; ele as considera parciais e inchadas.
Sua primeira medida seria retirar-se de um acordo entre os estados federados da Alemanha que regula as práticas de mídia.
Ele afirmou que esse seria o primeiro passo para abolir a taxa de radiodifusão pública de € 18,36 (cerca de R$ 109,14) mensais, que as residências são obrigadas a pagar para financiar canais como a ARD e a ZDF, independentemente de possuírem televisão ou rádio.
Em seu lugar, o partido instituiria um modelo financiado por impostos.
Outras propostas incluem hastear a bandeira da Alemanha em prédios públicos e iniciar uma campanha de “pensar como alemão”, visando reacender o orgulho nacional.
A proposta desafiaria a cultura política alemã do pós-guerra, que enfatiza fortemente a memória dos crimes nazistas e frequentemente trata com cautela manifestações explícitas de nacionalismo.
Um governo liderado pela AfD também ofereceria um subsídio de 50% para a obtenção da carteira de motorista a pessoas que se voluntariassem para ajudar em operações de socorro a desastres e serviços médicos de emergência. O custo de uma habilitação pode chegar a € 4.000 (aproximadamente R$ 23.000).
Imigração
O candidato da AfD também promete “deportações desde o primeiro minuto”, ecoando a campanha eleitoral do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Siegmund afirmou que concretizaria isso aumentando significativamente o número de vagas para abrigar pessoas que aguardam a deportação.
Ao ser questionado durante a campanha, ele negou que a deportação se aplicaria a estrangeiros que exercem atividade remunerada e estão estabelecidos no estado com direito legal de residência, afirmando que a medida se aplicaria apenas àqueles sem direito de permanência.
Nas escolas, ele criaria turmas separadas para crianças refugiadas sem perspectiva de permanecer na Alemanha; além disso, sua pasta de Interior obrigaria todos os municípios a criar programas de trabalho compulsório para requerentes de asilo.
Governo e política
Siegmund promete cortar o repasse de verbas públicas para fundações políticas, afirmando que não quer mais contribuir com dinheiro para o “clientelismo dos partidos estabelecidos”.
Ele também pretende reduzir o número de ministérios, fundindo funções e evitando redundâncias, além de eliminar totalmente uma pasta — sem especificar qual.
Siegmund quer ainda iniciar uma revisão da resposta do governo estadual à pandemia de COVID-19, alegando haver números, datas e fatos que devem ser do conhecimento público e pelos quais o governo anterior precisa assumir responsabilidade, a fim de evitar situações semelhantes no futuro.

