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Remoção de entulhos em Gaza por Israel pode destruir provas, diz ONU

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Remoção de entulhos em Gaza por Israel pode destruir provas, diz ONU

Uma especialista da ONU (Organização das Nações Unidas) afirmou nesta segunda-feira (7) que a remoção de entulhos por Israel em Gaza pode destruir provas valiosas de “crimes atrozes” e impedir a recuperação de restos mortais.

Os ataques de Israel a Gaza — iniciado após a incursão do Hamas em outubro de 2023 — gerou cerca de 61 milhões de toneladas de destroços e entulho, cuja remoção pode levar cerca de sete anos, segundo as Nações Unidas.

Francesca Albanese, especialista da ONU para os territórios palestinos, afirmou que as provas devem ser coletadas e os restos mortais identificados antes do início da remoção completa.

Ela divulgou uma declaração intitulada: “Especialista da ONU alerta que a remoção de entulhos por Israel pode apagar vestígios de crimes atrozes” e afirmou que os palestinos devem liderar quaisquer planos de remoção de resíduos.

“Na devastada Gaza, os entulhos não são apenas resíduos de construção. Fazem parte de uma cena de crime, um cemitério e o registro material do que aconteceu durante uma campanha de bombardeio brutal e insensata que durou dois anos”, disse ela.

Ela afirmou que diversas fontes confirmaram o envolvimento de empresas israelenses na remoção de entulhos, sem, no entanto, nomeá-las. Seu gabinete não respondeu imediatamente às perguntas sobre a origem da informação.

O Ministério das Relações Exteriores de Israel, o gabinete do primeiro-ministro e as Forças Armadas não responderam imediatamente a um pedido de comentário.

Anteriormente, todos discordaram veementemente de Albanese, que se tornou um dos críticos mais ferrenhos das ações militares de Israel em Gaza.

Em fevereiro, Alemanha, França e Itália condenaram o que consideraram declarações excessivamente negativas de Albanese sobre Israel, embora ela tenha negado ter feito as declarações citadas.

Em julho do ano passado, os EUA impuseram sanções a Albanese por, segundo ele, seus esforços para pressionar o Tribunal Penal Internacional a tomar medidas contra autoridades, empresas e executivos americanos e israelenses.

Os especialistas da ONU são contratados pelo Conselho de Direitos Humanos, com sede em Genebra, para monitorar e documentar crises específicas de direitos humanos, mas são independentes da própria organização.

Os ataques liderados pelo Hamas em 2023 mataram 1.200 pessoas em Israel, enquanto outras 251 foram feitas reféns, de acordo com dados israelenses.

Mais de 73 mil palestinos foram mortos na campanha militar israelense, segundo autoridades de saúde de Gaza.

Israel afirma ter se esforçado ao máximo para evitar baixas civis e que o Hamas usa civis de Gaza como escudos humanos em áreas densamente povoadas – uma alegação que o Hamas nega.

Em um comunicado, o Hamas disse que apreciou o alerta de Albanese e insistiu que os escombros sejam removidos de maneira a “garantir a recuperação dos restos mortais de pessoas desaparecidas e a preservação de evidências”.

As autoridades palestinas estimam que mais de 8 mil pessoas ainda estejam soterradas nos escombros. Uma equipe de resgate palestina que vasculhou os escombros na Cidade de Gaza no mês passado disse ter encontrado os restos mortais de 112 pessoas do mesmo clã.

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