Últimas

Espanhóis reprovam atuação do governo na crise em Ceuta, diz pesquisa

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Espanhóis reprovam atuação do governo na crise em Ceuta, diz pesquisa

Quase nove em cada dez espanhóis culpam o Marrocos pela travessia em massa de migrantes para Ceuta no final de julho, enquanto a maioria classifica a gestão da crise pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez como “ruim” ou “muito ruim”, segundo uma pesquisa de opinião divulgada nesta segunda-feira (7), que também apontou uma queda no apoio ao partido dele, o PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol).

A pesquisa realizada pelo instituto 40dB com 2 mil pessoas, para o jornal “El País” e a emissora de rádio SER, também registrou um aumento nas intenções de voto nos conservadores e no partido de direita e anti-imigração Vox, em consonância com diversos outros levantamentos realizados após a onda de travessias na fronteira do enclave espanhol no norte da África, que resultou em mortes.

  • Para 89% dos entrevistados, o Marrocos foi o principal responsável pela crise, seguido por grupos de tráfico de pessoas (75%), pela disseminação de desinformação nas redes sociais (74%), pelos migrantes que decidiram fazer a travessia (73%) e pelo governo espanhol (72%), segundo a pesquisa da 40dB.
  • Apenas 14,2% avaliaram positivamente a condução da crise por Sanchez, com dois terços dos entrevistados afirmando que sua resposta foi lenta demais.
  • As intenções de voto combinadas para o conservador Partido Popular e para o Vox chegaram a 50,2%, fazendo com que sua potencial aliança de direita ultrapassasse a marca de 50% pela primeira vez em uma pesquisa de opinião durante esta legislatura. O bloco de centro-esquerda caiu para 36,1%.
  • O PP subiu para 32,4%, ante 32% na pesquisa anterior da 40dB em julho, e o Vox foi a 17,8%, contra 17,2%, enquanto o Partido Socialista de Sánchez recuou para 27,6%, ante 28%.
  • Cerca de 27% dos entrevistados apontaram o Vox como o partido mais capaz na questão da imigração, à frente dos socialistas (18,4%) e do PP (13,9%).
  • Sete em cada 10 optaram por controles de fronteira mais rigorosos em detrimento da proteção de migrantes vulneráveis, e 82% apoiaram o aumento de cercas e da vigilância nas fronteiras da Espanha.

Um mês após migração em massa em Ceuta, moradores seguem com medo

Com o fim das férias de verão, é hora de voltar à rotina. Para os adultos, isso significa retornar ao trabalho; para as crianças, voltar à escola.

No entanto, este não será um início de ano letivo normal para os moradores da cidade espanhola de Ceuta, no norte da África. “É caótico, inseguro, estamos com medo e está piorando”, disse Marina Rovira, moradora de Ceuta, à CNN.

Suas palavras descrevem a crescente tensão nesta cidade autônoma de 83 mil habitantes desde o final de julho, quando cerca de 70 mil migrantes cruzaram irregularmente a fronteira do Marrocos para chegar a esta cidade no lado africano do Estreito de Gibraltar.

Um dos momentos mais tensos ocorreu na última quinta-feira (27), quando alguns manifestantes contra o fluxo migratório tentaram impedir a distribuição de alimentos da Cruz Vermelha aos recém-chegados, e outros incendiaram parte de um acampamento improvisado pelos migrantes em uma praia local.

Tudo isso aconteceu apesar do forte contingente de 1.600 policiais e agentes da Guarda Civil.