A derrota do Corinthians para a Chapecoense, no último domingo (06), agravou a crise vivida pelo clube e reacendeu o debate sobre os pagamentos atrasados ao elenco. Com o resultado, o Timão soma agora quatro derrotas consecutivas no Campeonato Brasileiro, distanciando-se da parte de cima da tabela e se aproximando perigosamente da zona de rebaixamento.
O comentarista Raul Moura foi enfático ao caracterizar o momento do clube.
“O Corinthians vive uma falência moral, uma falência institucional, e parece que só piora. Você olha para todos os lados e não enxerga uma luz no fim do túnel”, afirmou. Para ele, a situação se estende a outras modalidades do clube, com o basquete e o time feminino — as chamadas “brabas” — também sofrendo com direitos de imagem e salários em atraso.
Pagamentos atrasados e crise fora de campo
A diretoria corintiana deve aos jogadores um mês de direitos de imagem, além de valores referentes a premiações e férias. Raul Moura destacou a dificuldade de cobrar desempenho dos atletas diante desse cenário.
“É muito difícil para a torcida cobrar o elenco quando os jogadores não recebem. Salário atrasado, direito de imagem atrasado, premiação atrasada — sempre vai afetar”, disse.
Iúri Medeiros reforçou a crítica à diretoria, apontando a ausência de pronunciamentos públicos após a sequência negativa. “Não pode ser normalizado perder quatro partidas seguidas pelo Campeonato Brasileiro. Alguém tinha que se pronunciar, mas mais uma vez silêncio”, declarou.
Desempenho em campo preocupa analistas
O analista Vinícius Andrade classificou a atuação do Corinthians diante da Chapecoense como um “vexame”, ressaltando que o adversário era virtualmente rebaixado e ainda não havia vencido nenhum jogo fora de casa na competição.
“O Corinthians é um time muito previsível. É impressionante como não tem repertório. A jogada é jogar a bola para a área para ver o que dá”, afirmou. Vinícius também apontou que, nos últimos cinco jogos, o Corinthians apresentou um dos piores futebol da Série A.
Iúri Medeiros complementou que o técnico Diniz não tem conseguido extrair o melhor do elenco, e que os jogadores “parecem que fazem um favor jogando no Campeonato Brasileiro”.
Sequência difícil pela frente
A situação tende a se agravar com os próximos compromissos do clube no Brasileirão. O Corinthians terá pela frente Flamengo, Fluminense, Internacional — fora de casa — e Palmeiras, em clássico. “É uma sequência muito difícil, não só pelos adversários, mas pelo que o Corinthians não tem mostrado. É um time que a cada jogo que passa, performa pior”, avaliou Iúri Medeiros. O clube ainda está a sete pontos da zona de rebaixamento, mas o Vasco tem um jogo a menos, o que mantém o alerta aceso entre os torcedores.
Apesar do cenário sombrio dentro e fora de campo, a torcida corintiana seguiu comparecendo em massa. Mesmo com três derrotas consecutivas em casa, temperatura baixa e véspera de feriado, mais de 45 mil torcedores estiveram presentes na Neo Química Arena. Para Raul Moura, é a Fiel que sustenta o clube: “Se não fosse a torcida, o Corinthians já teria fechado as portas. O Corinthians é muito grande do Parque São Jorge para fora, mas é muito minúsculo do Parque São Jorge para dentro”.
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