Os candidatos à Presidência da República aproveitaram o feriado de 7 de Setembro para realizar atos políticos em diferentes estados brasileiros, com estratégias distintas de campanha. São Paulo, Rio de Janeiro e o Distrito Federal foram os principais palcos das movimentações, que incluíram críticas ao STF (Supremo Tribunal Federal), discursos contra a polarização e ataques a adversários. O analista de Política da CNN Pedro Venceslau explica cada ao CNN 360°.
Em Brasília, o tradicional desfile da Independência na Esplanada dos Ministérios reuniu autoridades dos Três Poderes. Além de dezenas de ministros de Estado, estiveram presentes o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), e o presidente do STF, Edson Fachin. Na tribuna de honra, Fachin conversou com Jorge Messias e também com Alcolumbre, enquanto Lula e Alcolumbre trocaram risos em tom descontraído ao longo da cerimônia.
Desfile com três eixos temáticos
O desfile contou, além da participação tradicional das Forças Armadas — com tropas a pé, veículos blindados e a apresentação aérea da Esquadrilha da Fumaça —, com três eixos temáticos: soberania nacional, combate à violência contra a mulher e a Copa do Mundo Feminina, que será realizada no Brasil em 2027.
A cerimônia foi descrita como institucional, embora contemplasse temáticas associadas à campanha de Lula à reeleição.
Flávio Bolsonaro na Avenida Paulista
Na Avenida Paulista, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participou do ato ao lado de Tarcísio de Freitas (Republicanos), com quem esteve reunido pela manhã e dividiu o carro de som. O discurso de Flávio buscou circunscrever a crise do STF à figura de Alexandre de Moraes, defendendo a instituição enquanto pedia o impeachment ou a renúncia do ministro.
“Nós estamos aqui para defender a instituição STF que foi contaminada por uma única pessoa”, foi a linha adotada pela candidatura. Também discursaram no evento o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, Daniella Marques, coordenadora de economia da campanha de Flávio e o senador e candidato ao governo do Paraná pelo PL (Partido Liberal), Sergio Moro, entre outros apoiadores.
Romeu Zema e o discurso dos “intocáveis”
Também na Avenida Paulista, Romeu Zema (Novo) realizou uma caminhada com apoiadores durante a manhã. A campanha espalhou cartazes com a imagem de um boneco representando Alexandre de Moraes preso atrás das grades, com os dizeres “chega de intocáveis”.
Em discurso à imprensa, Zema afirmou que “o Brasil nunca irá dar certo enquanto formos reféns desses intocáveis” e classificou a corrupção como “um câncer que atinge o país”. O candidato também defendeu o impeachment de ministros do STF, bandeira que carrega desde o início de sua campanha.
Renan Santos no Ibirapuera
Renan Santos (Missão) escolheu o obelisco do Ibirapuera para realizar seu ato, evitando deliberadamente o encontro com os manifestantes e correligionários de Flávio Bolsonaro.
Em seu discurso, chamou Alexandre de Moraes de “imperador” e afirmou que, se eleito, não pretende cumprir decisões de Moraes e de Dias Toffoli que considere ilegais.
Renan lançou o “Manifesto pelo Futuro da Nação” e convidou os demais presidenciáveis a assiná-lo. “A direita hegemônica e a esquerda governista são dominadas pelos mesmos sócios do crime”, declarou o candidato, que também pediu a abertura do que chamou de “caixa preta” do Banco Master e ironizou Augusto Cury (Avante), fazendo referência ao medicamento Rivotril para criticar o que considera um discurso de conformismo.
Augusto Cury muda tom e migra para o Rio
Augusto Cury, que inicialmente planejava realizar seu ato em São Paulo, transferiu o evento para o Rio de Janeiro após Flávio Bolsonaro marcar presença na capital paulista. A mudança evitou um conflito de palanques, disse Venceslau.
Segundo a análise de Pedro Venceslau, o candidato vem endurecendo o discurso progressivamente: de uma postura inicial contra a polarização, passou a defender a redução do número de ministros do STF de 11 para 9, o impeachment de ministros da corte e a revisão das prisões decorrentes dos eventos de 8 de janeiro.
No Rio, Cury declarou que o STF “tem de ter independência” e pediu transparência, sem defender individualmente nenhum ministro.
Ronaldo Caiado em Goiânia
Ronaldo Caiado (PSD) participou do desfile de 7 de Setembro em Goiânia, capital de Goiás. Em seu discurso, fez críticas contundentes a Lula, afirmando que o petista “devolveu o Brasil ao crime e à corrupção”.
Caiado também questionou a capacidade de Lula de falar em soberania e cidadania, citando o que chamou de desmoralização das instituições. “Nós aqui em Goiás podemos falar, aqui tem plena independência, aqui em Goiás pode comemorar o dia da Independência”, afirmou o candidato.

