Últimas

Fachin defende fim do inquérito das fake news, aberto há 7 anos

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Fachin defende fim do inquérito das fake news, aberto há 7 anos

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, defendeu nesta sexta-feira (4) o fim do inquérito das fake news, aberto há mais de sete anos e relatado pelo ministro Alexandre de Moraes.

A declaração foi feita durante uma cerimônia no Planalto, em meio à crise que colocou Moraes e André Mendonça em lados opostos na Corte. “Os acontecimentos recentes demonstram o acerto e a urgência de três metas de nossa gestão: a adoção de um código de ética, o fim do inquérito das fake news e a modernização do sistema de Justiça”, afirmou.

O inquérito foi instaurado em março de 2019 pelo então presidente do STF, Dias Toffoli, que escolheu Moraes como relator. A apuração surgiu para investigar notícias fraudulentas, ameaças e ataques contra integrantes da Corte.

Desde então, porém, o alcance da investigação foi ampliado e passou a reunir diferentes frentes, incluindo operações policiais, bloqueios de perfis em redes sociais e apurações sobre ataques às instituições.

O inquérito é alvo de controvérsia desde sua criação por ter sido aberto de ofício pelo próprio Supremo e por Moraes ter sido escolhido relator sem sorteio. Apesar das críticas, o plenário do STF validou a investigação em 2020.

Fachin já vinha defendendo internamente o encerramento do procedimento, mas a discussão ganhou força nesta semana depois que Moraes usou o inquérito para encaminhar ao próprio presidente da Corte acusações contra Mendonça.

Na quinta-feira (3), Moraes afirmou haver indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade na atuação de Mendonça à frente das investigações dos casos Master e INSS.

Nesta sexta, Fachin determinou que a decisão de Moraes e seus anexos fossem retirados do inquérito das fake news e transferidos para outro procedimento, sob responsabilidade da Presidência do STF. Com isso, o novo processo passou a concentrar os elementos envolvendo Moraes e as acusações apresentadas por ele contra Mendonça.

A crise aumentou a pressão interna pelo encerramento do inquérito. Segundo apuração da CNN, ministros que já defendiam o fim da investigação avaliam que o momento pode facilitar a formação de uma maioria para encerrar o procedimento.

O desfecho, porém, ainda não está definido. Moraes continua como relator do inquérito, e há discussão no Supremo sobre qual caminho jurídico seria necessário para encerrá-lo.

Uma possibilidade é o próprio Moraes determinar o arquivamento. Outra, discutida internamente, seria Fachin levar uma questão de ordem ao plenário para que os ministros decidam coletivamente sobre o fim da investigação.

Em seu discurso nesta sexta, Fachin afirmou que a resposta do STF à crise será “firme, proporcional e rigorosa”, mas disse que a gravidade dos fatos não autoriza medidas fora das regras constitucionais.

A defesa do encerramento do inquérito também se soma à proposta de criação de um Código de Ética para ministros do Supremo, anunciada por Fachin como prioridade de sua gestão no início do ano.

Fachin defende fim do inquérito das fake news, aberto há 7 anos — Radar Olhar Aguçado | Radar Olhar Aguçado