O Ibovespa encerrou a semana em recuperação, beneficiado pelo retorno de investidores estrangeiros e pela repercussão do cenário eleitoral para a disputa presidencial.
Em entrevista ao CNN Money, Rodrigo Moliterno, sócio da Veedha Investimentos, avaliou que o risco fiscal é o principal elemento que move o chamado “trade eleitoral”.
Ruído político
Moliterno explicou que, quanto maior o ruído político, maior a insegurança do investidor e maior o prêmio exigido para alocar recursos no país. No entanto, segundo ele, esse impacto ainda não se refletiu de forma significativa no mercado.
“A gente tem observado as taxas futuras de juros ainda relativamente estáveis, não abriram, estão até recuando”, afirmou.
O especialista ponderou que o cenário pode mudar caso o conflito institucional se intensifique e passe a colocar em dúvida decisões do STF, vinculando o ruído ao governo atual — o que poderia pressionar tanto as taxas de juros quanto a taxa de câmbio.
Pesquisas eleitorais
A recuperação recente do Ibovespa, que chegou a subir quase 10 mil pontos em um único dia, foi associada por Moliterno ao surgimento de pesquisas mostrando Flávio Bolsonaro mais próximo de Lula, com possibilidade de empate técnico.
Ele lembrou que, cerca de 15 a 20 dias antes, instituições como JP Morgan e Morgan Stanley haviam rebaixado a recomendação para o Brasil, justamente em razão de dúvidas fiscais.
Para o especialista, esse é o ponto central do trade eleitoral. Moliterno destacou que o atual governo é percebido pelo mercado como tendo uma postura mais favorável ao gasto público, e que coordenadores da campanha de Lula chegaram a tratar a questão fiscal como algo de menor relevância.
A perspectiva de uma mudança na condução fiscal do país, com eventual alternância de poder, foi apontada como o principal motor da boa reação do mercado.
Estratégias de proteção no mercado de derivativos
Moliterno também comentou as estratégias adotadas pelos gestores de renda variável diante do cenário de incerteza.
Segundo ele, o mercado de derivativos tem registrado maior movimentação, com investidores buscando proteção por meio de compra de dólar futuro e de opções de venda sobre o Ibovespa.
O especialista mencionou ainda que investidores internacionais estavam montando posições no EWZ — principal ETF brasileiro — e na Petrobras por meio de opções, de forma a limitar a exposição ao risco.
As posições identificadas apontavam para uma expectativa de o Ibovespa atingir o patamar de 200 mil pontos até o final do ano.

