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Presidente da Colômbia exibe corpos ao celebrar sucesso em operação

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Presidente da Colômbia exibe corpos ao celebrar sucesso em operação

O presidente da Colômbia, Abelardo De La Espriella, publicou nesta sexta-feira (4) um vídeo comemorando o sucesso de operações contra grupos que ele classificou como criminosos no país enquanto os corpos dos membros apareciam enfileirados e cobertos no chão.

No post, feito na rede social X, De La Espriella afirmou que a operação, nomeada de “Centinela de la Patria” foi realizada por agentes da Polícia Nacional e resultou na morte de “Bendito Mentor” que, segundo o presidente colombiano, é um dos criminosos mais perigosos do país.

“[…] ou se submetem à justiça ou enfrentarão toda a força legítima do Estado”, afirmou De La Espriella em uma mensagem aos criminosos da Colômbia.

A publicação do presidente colombiano provocou amplas críticas de setores políticos e grupos de oposição do país. Por outro lado, gerou apoio de seguidores e membros do partido político Defensores da Pátria.

Críticos alertam que a exibição pública de cadáveres viola os princípios do DIH (Direito Internacional Humanitário), que proíbem o tratamento degradante e a exploração da dignidade dos mortos em combate para fins de propaganda.

“Ele caminha entre os sacos para cadáveres. Praticamente pisa neles com desprezo. Se diz cristão, mas na realidade é um ser inescrupuloso, sem o menor senso de humanidade”, afirmou Iván Cepeda, senador do partido de esquerda Pacto Histórico, que concorreu contra De La Espriella como candidato à presidência nas eleições de junho.

Enquanto isso, os apoiadores do presidente colombiano sustentam que as imagens constituem um ato de dissuasão estratégica e apoio explícito às forças de segurança.

Nessa perspectiva, o objetivo é transmitir uma mensagem de autoridade diante de grupos armados ilegais.

“Desumanização da morte? Por favor. Desumanização é sequestrar, massacrar, recrutar crianças e adolescentes, estuprar, forçar abortos e semear o terror em comunidades inteiras. Não querem acabar assim? Fácil: larguem as armas, rendam-se e submetam-se à justiça”, declarou Cristina Plazas, ex-diretora do Instituto Colombiano de Bem-Estar Familiar e apoiadora do governo De La Espriella, em uma publicação no X.

“O Direito Internacional Humanitário não faz distinção entre mortos bons e maus. Um combatente morto é uma pessoa protegida, e a lei proíbe expô-lo ao escrutínio público. Essa proibição não protege os mortos; protege a mãe que identifica seu filho na televisão, em uma fila de reconhecimento, no chão de um armazém. O fato de serem guerrilheiros não os absolve de nada. Um Estado se distingue de seus adversários pela forma como trata os derrotados, mesmo após a morte”, afirmou o cartunista e analista Vladimir Flórez, Vladdo.

Na madrugada desta sexta-feira, na zona rural de Riohacha, La Guajira, Naín Andrés Pérez Toncel, conhecido como ‘Bendito Menor’ ou ‘Naín’, foi morto.

Este homem era considerado um dos principais alvos da inteligência e o líder máximo do grupo armado ilegal Autodefensas Conquistadoras de la Sierra Nevada. Junto com ele, outras três pessoas foram mortas, conforme anunciado pelo presidente em um comunicado do departamento de La Guajira, acompanhado pelo alto comando militar.

Uma das principais promessas de campanha de Abelardo De La Espriella foi acabar com a chamada política de “paz total” do governo de esquerda anterior de Gustavo Petro e combater todos os grupos armados ilegais.

E essa foi uma de suas primeiras decisões como presidente. De La Espriella suspendeu todas as negociações de paz fracassadas e declarou guerra aos dissidentes das FARC, à guerrilha do ELN (Exército de Libertação Nacional) e às gangues criminosas que trabalham para narcotraficantes.

“Não permitirei que a palavra paz continue sendo usada como desculpa para a impunidade, nem permitirei que uma mesa de diálogo se torne um refúgio para aqueles que persistem na violência e no crime. Os dias de conversas vazias e infrutíferas, sem benefícios ou concessões reais, acabaram”, declarou o presidente em um pronunciamento em 30 de agosto.

De La Espriella ordenou diversos bombardeios, principalmente no departamento de Guaviare, contra uma frente comandada por Néstor Gregorio Vera Fernández, vulgo “Iván Mordisco”, um dos principais líderes dissidentes das FARC, por quem o Ministério da Defesa oferece uma recompensa equivalente a US$ 1,5 milhão.

O presidente colombiano reiterou publicamente que, como comandante-em-chefe das Forças Armadas, deu a ordem para a realização dessas operações.

“Estamos atrás de você, ‘Mordisco’, você não escapará da ação do governo. Você não escapará da determinação de nossas Forças Armadas. Cada gota de sangue que nossos cidadãos, nossos policiais e soldados derramaram por você será vingada. Quando você menos esperar, uma bomba cairá sobre você”, disse De La Espriella.

(Com informações de Fernando Ramos, da CNN em Espanhol)

Quem é Abelardo de la Espriella, presidente da Colômbia

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