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Para conselheiro, Selic em dois dígitos inviabiliza negócios e pune varejo

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Para conselheiro, Selic em dois dígitos inviabiliza negócios e pune varejo

A taxa básica de juros acima de 10% ao ano torna inviável a sustentação financeira de qualquer negócio. A avaliação é de João Nogueira Batista, conselheiro com experiência em reestruturações empresariais.

Segundo João Nogueira Batista, a crise que afeta grandes varejistas brasileiras não tem uma causa única, mas pode ser explicada por um contexto mais amplo, onde a taxa de juros está inserida. Batista participou do especial “A Crise de Grandes Marcas”, do CNN Money.

“É um conjunto de fatores que vão se retroalimentando e levam as empresas a uma situação mais extrema de ter que renegociar as suas dívidas”, explicou o conselheiro.

Juros reais e conflitos societários

Entre os principais fatores apontados por João Nogueira Batista, destacam-se os conflitos societários e a taxa de juros real praticada no Brasil.

“A taxa de juros real é absurda, recorde mundial. Então, isso evidentemente para um setor como o varejo, que trabalha muito com capital de giro, é mortal. Você passar alguns anos pagando taxas de juros reais da ordem de mais de 10% é uma loucura. Não há negócio que se sustente”, afirmou.

Além disso, o conselheiro ressaltou que praticamente todas as empresas que enfrentaram crises recentes passaram por disputas internas entre sócios, o que ele considera um fator determinante para o agravamento das dificuldades financeiras.

Impacto da tecnologia e do digital

Outro fator relevante apontado por João Nogueira Batista é o avanço da tecnologia e do comércio digital.

Empresas baseadas em grandes redes de lojas físicas e investimentos pesados em logística passaram a competir diretamente com plataformas digitais, o que elevou os custos operacionais e reduziu a atratividade dos espaços físicos.

“As pessoas comprando de dentro de casa, não indo às lojas, as lojas começam a ficar ociosas, custando muito caro”, disse. Esse fenômeno afeta de forma especialmente severa o varejo têxtil, o varejo de moda e o mercado de eletrônicos.

Política fiscal

João Nogueira Batista também criticou a ausência de políticas industriais mais consistentes por parte dos governos. Ele relatou que empresas do setor têxtil sofreram com a entrada irregular de produtos chineses no mercado brasileiro, aproveitando-se de uma isenção fiscal originalmente destinada a pessoas físicas.

“Os chineses montaram um esquema que está comprovado, documentalmente”, afirmou, acrescentando que, no caso da Marisa, esse movimento chegou a retirar metade do market share da empresa em três anos.

O conselheiro mencionou que o setor varejista buscou junto ao governo a equiparação da carga fiscal entre empresas nacionais e estrangeiras.

“Ninguém estava pedindo favor, nem redução de imposto, nada. Era assim: queremos que o estrangeiro pague a mesma carga fiscal que nós pagamos, ponto”, declarou.

Ele lamentou que, após avanços nas negociações, decisões políticas reverteram parte das medidas conquistadas, o que, na sua avaliação, demonstra “uma falta de política industrial, no mínimo”.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.
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