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Trump ameaça suspender parcerias comerciais se Fed não baixar juros

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Trump ameaça suspender parcerias comerciais se Fed não baixar juros

O presidente Donald Trump ameaçou na sexta-feira (4) impedir os EUA de comercializar com diversas nações caso o Federal Reserve não reduza as taxas de juros.

“BAIXE A TAXA OU EU PARO DE COMERCIALIZAR COM PAÍSES COM OS QUAIS TEMOS UM DÉFICIT, o que a Suprema Corte dos EUA, em sua ridícula e muito custosa decisão sobre Tarifas, reconheceu expressamente que “o Presidente” tem o direito absoluto de fazer”, disse Trump em uma publicação no Truth Social.

“É MELHOR DO QUE TARIFAS! O Conselho do Fed, com seu ótimo novo líder, precisa ser inteligente — SEJA PATRIOTA por uma vez.”

Um déficit comercial ocorre quando um país importa mais do que exporta. Com mais de US$ 200 bilhões, os EUA registraram seu maior déficit comercial com a China no ano passado, seguida pelo México e pelo Vietnã.

No total, os EUA acumularam um déficit comercial de US$ 1,2 trilhão com todos os parceiros comerciais no ano passado, de acordo com dados federais de comércio.

A ameaça de Trump veio logo após o surpreendentemente aquecido relatório de empregos de agosto mostrar que os empregadores americanos contrataram 162.000 novos trabalhadores naquele mês, mais do que o dobro do nível previsto pelos economistas.

O forte relatório abre ainda mais espaço para o Fed elevar as taxas de juros para combater as preocupações com a inflação. Os dirigentes se reúnem ainda este mês para decidir qual deve ser o nível das taxas.

O Fed se recusou a comentar a publicação de Trump.

Um aumento de juros está na mesa

Após a divulgação do relatório de empregos às 8h30 ET de sexta-feira, as probabilidades de aumento de juros na próxima reunião saltaram para 60%, ante 49% na quinta-feira, de acordo com o CME FedWatch.

Os dirigentes do Fed enviaram sinais contraditórios antes de sua reunião de política monetária de dois dias, que começa em 15 de setembro.

Na semana passada, o presidente do Fed, Kevin Warsh, escolhido a dedo por Trump para substituir Jerome Powell após pressionar repetidamente o ex-presidente a cortar as taxas de juros, sinalizou que está aberto a elevar as taxas caso a inflação permaneça muito alta.

“Precisamos ter a certeza de que a inflação subjacente está caminhando em direção ao nosso objetivo, de forma clara e em velocidade suficiente. Caso contrário, temos trabalho a fazer”, disse Warsh em discurso proferido no simpósio anual de Jackson Hole do Fed.

O dirigente do Fed Michael Barr disse nesta semana que está preparado para votar a favor de uma alta de juros em breve, caso os novos dados de inflação não indiquem nenhum progresso na redução do aumento de preços à meta de 2% do banco.

Já o dirigente do Fed Chris Waller afirmou estar disposto a esperar mais tempo para observar como a economia evolui, mas que apoiaria uma alta caso a inflação não desacelere eventualmente.

Isso conferiu uma ênfase especial ao relatório do Índice de Preços ao Consumidor de agosto, previsto para a próxima sexta-feira.

A taxa de inflação anual do país saltou um ponto percentual completo, chegando a 3,4% em julho, desde que a guerra com o Irã eclodiu em fevereiro, de acordo com os dados do CPI.

A escalada da inflação decorreu principalmente de um salto expressivo nos preços da gasolina, com os petroleiros em grande parte impossibilitados de transitar pelo Estreito de Ormuz.

Isso fez com que as empresas também pagassem mais pelo transporte de mercadorias, e muitas companhias sinalizaram aumentos de preços iminentes como resultado.

Se Trump cumprir sua ameaça de cortar o comércio, isso poderá exercer pressão adicional de alta sobre os preços. Mas isso pressupõe que as empresas americanas consigam encontrar rapidamente fornecedores alternativos para os produtos que vinham sendo adquiridos nesses países.

Em muitos casos, isso poderia ser extremamente difícil, senão impossível. As perturbações resultantes poderiam afetar tanto as empresas quanto os consumidores, potencialmente pesando de forma significativa sobre a economia em geral.

A campanha de pressão de Trump sobre o Fed

Não é a primeira vez nesta semana que Trump pede a redução das taxas de juros. Ao falar com repórteres no Salão Oval na segunda-feira, Trump disse ser “ridículo” até mesmo discutir uma alta.

“É ridículo porque o sucesso no crescimento não causa inflação”, disse Trump. “A inflação é causada por outras razões.”

Os comentários ressaltam a longa campanha de pressão de Trump sobre o Fed para cortar as taxas de juros. Isso inclui a tentativa de Trump de demitir a dirigente do Fed Lisa Cook com base em alegações não comprovadas de fraude hipotecária.

A Suprema Corte decidiu, em última instância, que Trump não tinha autoridade para removê-la. (Cook não foi indiciada por nenhum ato ilícito.)

O Departamento de Justiça de Trump também abriu uma investigação criminal no ano passado sobre a condução, por parte de Powell, do projeto de reforma multibilionária do banco central enquanto ele ainda era presidente.

A investigação foi posteriormente encerrada, removendo um grande obstáculo à confirmação de Warsh pelo Senado.

Molly English e Bryan Mena, da CNN, contribuíram para esta reportagem.

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