A inteligência da PF (Polícia Federal) apontou, em relatório ao qual a CNN teve acesso, um possível tratamento mais rigoroso do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), em relação a Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O documento sustenta essa percepção, comparando os critérios adotados por Mendonça em apurações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e ACM Neto (União), candidato ao governo da Bahia.
Segundo o relatório, em uma reunião presencial realizada em 13 de agosto, Mendonça manifestou a percepção de que ACM Neto aparentava exercer atividade de representação de interesses dentro dos limites permitidos. O caso relacionado ao candidato tramita sob sigilo, está pendente de decisão judicial e, segundo o documento, recebeu parecer contrário da PGR à adoção de medidas ostensivas naquele momento.
A PF diz, porém, que a situação guarda semelhanças com a de Lulinha, alvo de dois inquéritos sob a relatoria de Mendonça que apuram suspeitas de tráfico de influência no governo federal.
“A situação fática apurada quanto a ele guarda similaridade relevante com a de Fábio Luís Lula da Silva, o que sugere a adoção de standards probatórios distintos conforme o espectro político da pessoa envolvida nos fatos”, afirma o relatório.
O documento considera a comparação entre os dois casos o principal indicador de uma possível assimetria, por envolver pessoas de posições políticas opostas em situações consideradas semelhantes.
A PF chega a levantar a hipótese de que a diferença de tratamento tenha motivação política, mas classifica essa inferência como de baixa confiança. As manifestações atribuídas a Mendonça foram relatadas por servidores, ainda não foram reduzidas a termo e não contam com uma comparação documental entre os dois casos.
O relatório ressalva que a semelhança entre as situações ainda é “afirmada e não demonstrada”. Por isso, recomenda a elaboração de um quadro comparativo das condutas, das provas reunidas e do estágio de cada apuração.

