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Família de professora morta após diagnóstico de ansiedade pede justiça

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Família de professora morta após diagnóstico de ansiedade pede justiça

A família de Giulia Silva de Araújo, a professora que morreu após procurar atendimento médico e receber alta duas vezes no mesmo dia com diagnóstico de ansiedade, busca respostas e justiça pela morte da mulher. O caso aconteceu em uma unidade de saúde na zona Norte do Rio de Janeiro, na última sexta-feira (29).

Em áudio enviado à CNN Brasil, Fabiana Marques, irmã da vítima, afirmou que busca divulgar o que aconteceu e que quer justiça pela morte de Giulia. 

A professora deu entrada na emergência do Hospital Municipal Francisco da Silva Telles com queixas de dor no peito e sintomas compatíveis com um quadro cardíaco, mas foi liberada após passar por exames. Depois de quase três horas, buscou atendimento mais uma vez, e foi liberada após uma segunda bateria de exames.

De acordo com a família da vítima, o hospital tratou o quadro clínico de Giulia como uma crise de ansiedade, concedendo alta após medicação com dexametasona.

Segundo relato dos familiares, na segunda vez em que Giulia buscou o hospital, ela chegou a desmaiar e apresentar sintomas mais graves durante o atendimento, mas, ainda assim, o quadro foi novamente tratado como ansiedade.

Em um trecho do relato, os familiares cobraram respostas da unidade hospitalar e afirmaram que os exames apresentavam alterações que “precisam ser esclarecidas”.

Por que não foi seguido um protocolo adequado para os sintomas informados? Por que os sintomas de uma jovem de 26 anos foram tratados como ansiedade, mesmo diante da piora e do desmaio?

questionaram familiares de Giulia Silva

Depois da segunda alta nessa unidade, a professora passou mal mais uma vez e foi levada a outro hospital, mais próximo de sua residência. No entanto, sofreu um infarto e morreu ainda no mesmo dia.

Outro lado

A direção do Hospital Municipal Francisco da Silva Telles, por sua vez, informou que prestou toda a assistência à paciente de acordo com o quadro clínico apresentado em cada avaliação.

Segundo a unidade, Giulia foi ao hospital relatando dores no peito e foi prontamente atendida, tendo recebido todos os cuidados indicados para o seu quadro, incluindo exames estabelecidos em protocolo para diagnóstico imediato de casos cardíacos agudos.

Conforme a nota, todos os exames apresentaram resultados dentro dos parâmetros de normalidade: frequência cardíaca, frequência respiratória, pressão arterial, temperatura e saturação de oxigênio.

Além disso, o hospital ainda afirmou que Giulia também passou por exame de eletrocardiograma, determinante na detecção de quadros cardíacos de maior gravidade, e o resultado não apresentou qualquer alteração.

Com a aparente normalidade dos resultados e dos indicadores vitais, foram prescritos medicamentos para os sintomas relatados, e a paciente recebeu alta médica com as “devidas orientações”.

Diante do retorno da paciente, a equipe médica repetiu os exames realizados no primeiro atendimento e prescreveu ainda hemograma completo e radiografia do tórax.

Também nesta segunda bateria de exames, de acordo com o hospital, não foi detectada nenhuma alteração. Giulia recebeu no próprio hospital medicação para os sintomas apresentados até então e permaneceu em observação.

Às 13h19 foi reavaliada e, como os indicadores vitais permaneceram dentro da normalidade, foi prescrita a alta médica pela segunda vez. Em nota, o Hospital Municipal Francisco da Silva Telles lamentou o falecimento de Giulia e ressaltou que “prestou toda a assistência à paciente de acordo com o quadro clínico apresentado”. A direção da unidade ainda afirmou que segue à disposição da família para mais esclarecimentos.

O caso é investigado pela 59ª DP (Duque de Caxias), onde as diligências seguem em andamento para apurar as circunstâncias da morte.

Veja: Professora diagnosticada com ansiedade morreu por tamponamento cardíaco

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