O Brasil possui competência técnica e infraestrutura adequadas para se tornar uma potência na área de data centers e inteligência artificial, mas ainda carece de maior volume de investimentos e de um marco regulatório sólido.
A avaliação é de Luis Gonçalves, CEO da Dell Technologies para a América Latina, em entrevista ao programa “É Negócio” da CNN Brasil, sobre o posicionamento do país no cenário tecnológico global.
América Latina e as nuances locais
Ao comparar a América Latina com outras regiões do mundo, Luis Gonçalves destacou que a diversidade de estágios de desenvolvimento existe em todos os continentes.
“Existe a Europa desenvolvida e também existe a Europa em desenvolvimento”, afirmou.
Para ele, compreender as realidades locais é condição indispensável para o sucesso de qualquer operação regional.
“Pasteurizar a solução ou a forma de realizar o negócio em toda a região também é receita para o fracasso”, alertou.
O estágio do Brasil em tecnologia
Quando o foco se volta especificamente para o Brasil, o executivo avaliou que o país apresenta maturidade técnica relevante, mas enfrenta um gargalo financeiro.
“O que falta para o Brasil é mais capital de investimento”, disse.
Segundo ele, o país já conta com mão de obra qualificada, energia disponível, espaço físico e um sistema financeiro sofisticado.
“Essa sofisticação não chegou aqui porque as pessoas não souberam fazê-la. Pelo contrário, fizeram porque realmente a gente tem essa competência para fazer”, ressaltou.
Soberania digital: uma urgência global
A questão da soberania digital foi apontada como uma das prioridades de primeira magnitude para o Brasil e para o mundo. Gonçalves destacou que não ter controle sobre a operação digital representa “um risco muito grande, especialmente no quesito de soberania”.
Ele observou que até pequenas ilhas do Caribe já avançam em suas próprias soluções de soberania digital, e que o Brasil, dada sua dimensão, deveria estar progredindo “a largos passos” nessa direção.
“O Brasil tem iniciativas. Eu acho que a gente não avança rápido o suficiente”, admitiu.
Data centers e o programa Redata
Sobre o programa Redata, iniciativa do governo brasileiro para estimular a construção de data centers no país, Gonçalves reconheceu que o avanço está aquém do que a causa merece.
Ele enfatizou que o Brasil reúne condições excepcionais para atrair investimentos nessa área: uma das melhores matrizes energéticas do mundo, espaço físico, pessoas qualificadas e consumo expressivo. “Seria um destino muito atrativo dadas as proteções necessárias”, afirmou.
Ele também abordou a resistência crescente nos Estados Unidos à construção de novos data centers, motivada pelo alto consumo de energia, água e recursos naturais. Para ele, essa resistência representa uma oportunidade adicional para o Brasil, uma vez que provedores internacionais já buscam alternativas fora do território norte-americano.
Ao final, reforçou a necessidade de avanço regulatório: “Precisa ter segurança institucional para que esses investimentos sejam feitos. O marco regulatório é importante, avancemos com mais velocidade.”
É Negócio
O programa É Negócio é uma parceira do NeoFeed com a CNN Brasil, Carlos Sambrana entrevista os executivos e líderes das maiores companhias do Brasil. Acompanhe os episódios inéditos, todos os domingos, às 20h45 na CNN Brasil, com reprise às quartas-feiras, às 19h15 no CNN Money.

