O ateliê de vestidos de noiva My Vintage Dress, alvo de denúncias de clientes que afirmam ter ficado sem os vestidos contratados, enfrenta uma ação de despejo por falta de pagamento em São Paulo. O processo foi protocolado nesta quinta-feira (3) na 2ª Vara Cível do Foro Regional de Pinheiros e tem valor de R$ 720 mil.
A ação foi movida pelo Espólio de Eduardo Caio da Silva Prado e de Giselle Manuela da Silva Prado, representado pelo inventariante Eduardo Antônio da Silva Prado.
Segundo a petição inicial, o contrato de locação comercial foi firmado em 16 de março deste ano, com prazo de 48 meses, para o imóvel localizado na Avenida Professor Fonseca Rodrigues, no Alto de Pinheiros.
Segundo o processo, embora o contrato previsse carência no pagamento do aluguel durante os primeiros meses para a realização de obras no imóvel, o IPTU deveria ser pago pela empresa desde o início da locação.
A My Vintage Dress teria deixado de pagar as parcelas do imposto referentes a abril, maio, junho, julho e agosto de 2026.
A dívida acumulada de IPTU é de R$ 41.288,17. Com juros e correções previstos no contrato, o valor cobrado na Justiça chega a R$ 45.416,99.
Caso a empresa seja citada e não quite o débito e os encargos no prazo de 15 dias, os proprietários pedem a rescisão do contrato e o despejo coercitivo.
A CNN Brasil tenta contato com o estabelecimento e aguarda retorno. O espaço segue aberto.
Noivas relatam vestidos não entregues
No começo da semana, clientes com casamentos marcados para os próximos meses relataram que a produção dos vestidos havia sido paralisada.
Entre as clientes está Mari Sgarbosa, que contratou uma confecção sob medida em abril e afirma que tentava agendar provas do vestido, mas os compromissos eram cancelados.
Mayra Fernandes relatou ter pago R$ 10 mil pelo aluguel de duas peças e afirma que não recebeu informações sobre reembolso ou previsão de entrega após a suspensão das atividades.
Já Giulia Vazri disse que, ao procurar informações na loja física, familiares encontraram o estabelecimento vazio e com presença da polícia.
Veja momento em que noivas chegaram em frente à loja de noivas:
A SSP (Secretaria de Segurança Pública) informou que ocorrências relativas a esse caso estão sendo registradas como estelionato e as autoridades policiais avaliam cada situação para adotar as medidas cabíveis. A pasta não informou o número de casos já registrados.
Em manifestações publicadas nas redes sociais, a administração da loja, representada pela proprietária Camila Rossi, reconheceu que enfrenta uma “grave situação interna” na operação de produção.
A empresa afirmou que está organizando um atendimento emergencial para noivas com casamentos próximos.
A administração também alegou estar sofrendo ameaças constantes. Segundo o ateliê, durante um protesto de clientes em frente ao estabelecimento na terça-feira (1), cerca de 50 pessoas teriam entrado no local sem autorização e levado algumas peças.
A empresa afirmou que, por questões de segurança dos funcionários, retirou os vestidos de exposição e fechou as portas temporariamente.
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo

