Em meio à crise que abala o STF (Supremo Tribunal Federal), a defesa do banqueiro Daniel Vorcaro intensificou suas movimentações no caso Banco Master. Os advogados trabalham simultaneamente em duas frentes: a busca pela nulidade de provas e a elaboração de uma nova proposta de colaboração premiada. A apuração é da âncora da CNN Tainá Falcão ao Bastidores CNN.
Segundo a apuração, pessoas próximas a Vorcaro avaliam que se abriu uma nova janela de oportunidade para dar mais fôlego a essas duas iniciativas. A estratégia ganha força justamente no momento em que revelações recentes trouxeram menções ao diretor-geral da Polícia Federal e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Nova tentativa de delação premiada
A movimentação em torno de uma proposta de colaboração premiada ocorre mesmo após a negativa de Paulo Gonet, registrada há cerca de um mês. À época, o gabinete do procurador-geral já sinalizava que não aceitaria qualquer proposta nesse sentido.
Entre as críticas feitas ao caso, estava a avaliação de que Vorcaro demonstrava dificuldades em reconhecer os crimes e que algumas pessoas que teriam ajudado a manter sua rede de influência ficaram de fora das tratativas, gerando insatisfação tanto no entorno do PGR quanto na Polícia Federal.
A nova proposta de delação, agora em elaboração, é vista pela defesa como um elemento de pressão sobre a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal diante do cenário atual.
No entanto, uma ressalva importante foi levantada: caso Vorcaro não entregue informações que vão além do que já foi apurado pelas investigações, incluindo indícios que ainda não constam nos autos, a janela de oportunidade pode não produzir qualquer efeito prático, pois o ministro André Mendonça deve manter a mesma postura de rejeição à delação parcial — posição que o próprio ministro já manifestou publicamente em sessão.
Nulidade de provas como estratégia paralela
A segunda frente da defesa envolve a busca pela nulidade das provas obtidas no processo.
Essa tese, que já vinha sendo trabalhada pelo antigo advogado de Vorcaro, concentra-se na questão da custódia dos aparelhos eletrônicos apreendidos, com o objetivo de identificar brechas que possam invalidar o processo de maneira mais ampla.
Essa estratégia ganhou novo impulso com os questionamentos surgidos sobre a condução do processo pelo ministro relator André Mendonça. A lógica da defesa é que, caso haja um reconhecimento futuro de que o processo legal não foi devidamente seguido pelo ministro, isso poderia também invalidar as provas utilizadas para incriminar Vorcaro.
Um efeito adicional seria transformar informações já apuradas em elementos que passariam a depender exclusivamente do depoimento de Vorcaro, aumentando o valor de uma eventual colaboração premiada. Diante das incertezas sobre qual das frentes tem mais chances de prosperar, a defesa mantém a ofensiva dupla.

