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Professora morta no RJ: veja diferenças entre sinais de infarto e ansiedade

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Professora morta no RJ: veja diferenças entre sinais de infarto e ansiedade

A professora de história Giulia Silva de Araújo, de 26 anos, morreu na última sexta-feira (28) após procurar atendimento médico duas vezes em um hospital municipal na zona Norte do Rio de Janeiro e receber alta.

Para familiares da vítima, a unidade tratou um possível quadro de infarto como crise de ansiedade.

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registra entre 300 mil e 400 mil casos de infarto por ano. Em 2025, por exemplo, os óbitos por infarto totalizaram 91.912 casos, sendo uma das principais causas de mortes no país.

Os sinais de infarto nem sempre se manifestam de forma clássica, com dor no peito e irradiação para o braço esquerdo. Em alguns casos, os sintomas podem ser confundidos com ansiedade ou mal-estar gástrico.

Segundo a Dra. Natassha Fernandes, cardiologista do Hospital Edmundo Vasconcelos, o sintoma mais típico de infarto é a dor torácica de forte intensidade no meio do peito, que pode irradiar para os braços, mandíbula e costas.

Os sintomas podem vir acompanhados de náuseas, falta de ar, palpitações e sensação de desmaio. Em geral, as dores costumam ter piora com esforço físico e podem também ter piora com estresse emocional.

Para Natassha, os sinais também são apresentados em quadros de ansiedade, quando o paciente pode sentir as mesmas dores e demais sintomas, no entanto sem a piora com a realização de exercícios físicos.

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Segundo a cardiologista, no momento da análise do paciente, deve-se levar o consideração riscos de coronariopatias (como colesterol alto, pressão alta, diabetes, doenças reumatológicas, uso de drogas e anabolizantes e histórico familiar positivo).

“Como pode ser muito semelhante, existem protocolos de dor torácica, onde o paciente deve realizar eletrocardiograma em torno de 10 minutos pra avaliar se há alterações compatíveis com infarto com necessidade de abordagem imediata. Além disso, são realizados exames laboratoriais que devem ser repetidos após algumas horas pra ver se há mudança. Existem mais de 10 diagnósticos diferenciais para dor no peito que não infarto”, explicou Natassha.

Em casos em que o paciente apresente alteração em qualquer um dos parâmetros, ele deve ser internado para avaliação cardiológica de emergência. De acordo com a cardiologista, se não houver alterações nos exames, o paciente deve ser encaminhado para o cardiologista de forma ambulatorial para investigação mais ampla.

“A ansiedade nesses casos vai ser um diagnóstico de exclusão, ou seja, necessitamos excluir outras causas para confirmar que se trata de ansiedade. No entanto em ambiente de urgência podemos também tentar medicar para ansiedade, caso exames sem alterações, na tentativa de melhora de sintomas. Na dúvida, sempre procurar um cardiologista”, concluiu a médica.

Relembre o caso

Giulia teria recebido alta hospitalar duas vezes no mesmo dia antes de falecer.

A mulher deu entrada na emergência do Hospital Municipal Francisco da Silva Telles pela primeira vez com queixas de dor no peito e sintomas compatíveis com um quadro cardíaco. A mulher passou por diversos exames e foi liberada pela unidade.

Quase três horas depois, a professora retornou ao hospital relatando os mesmos sintomas e foi conduzida para uma segunda bateria de exames, inclusive sendo prescrito um hemograma completo e radiografia do tórax.

Nas redes sociais, os parentes da professora afirmaram que na segunda vez em que Giulia buscou o hospital, ela chegou a desmaiar e apresentar sintomas mais graves durante o atendimento, mas, mesmo assim, não recebeu um diagnóstico diferente do hospital.

Giulia recebeu alta novamente após a realização dos exames.

Depois de ser liberada pela segunda vez, a professora passou mal mais uma vez e foi levada a outro hospital, mais próximo da casa dela. No entanto, sofreu um infarto e morreu ainda no mesmo dia.

Os familiares da professora chegaram a cobrar respostas da unidade hospitalar e afirmaram que os exames apresentavam alterações que “precisam ser esclarecidas”.

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Outro lado

A direção do Hospital Municipal Francisco da Silva Telles, por sua vez, informou que prestou toda a assistência à paciente de acordo com o quadro clínico apresentado em cada avaliação.

Segundo a unidade, Giulia foi ao hospital relatando dores no peito e foi prontamente atendida, tendo recebido todos os cuidados indicados para o seu quadro, incluindo exames estabelecidos em protocolo para diagnóstico imediato de casos cardíacos agudos.

Conforme o hospital, todos os exames apresentaram resultados dentro dos parâmetros de normalidade: frequência cardíaca, frequência respiratória, pressão arterial, temperatura e saturação de oxigênio.

Além disso, o hospital ainda afirmou que Giulia também passou por exame de eletrocardiograma, determinante na detecção de quadros cardíacos de maior gravidade, e o resultado não apresentou qualquer alteração.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro lamentou o falecimento de Giulia e ressaltou que “prestou toda a assistência à paciente de acordo com o quadro clínico apresentado”. A direção da unidade hospitalar ainda afirmou que segue à disposição da família para mais esclarecimentos.

O caso é investigado pela 59ª DP (Duque de Caxias) que apura as circunstâncias da morte.

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