A decisão do ministro André Mendonça sobre a homologação de uma possível delação premiada no âmbito do caso Dark Horse coloca o magistrado no centro de uma intensa disputa política. Segundo Pedro Venceslau, ao HORA H, Mendonça controla o “timing” — termo em inglês para o controle do momento oportuno — da chamada “guerra eleitoral” que se instaurou na Corte.
A delação em questão envolve Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”. A PGR (Procuradoria-Geral da República) aceitou o pedido de acordo de colaboração premiada, mas a homologação depende exclusivamente de Mendonça, que não tem prazo legal para se manifestar. Segundo Venceslau, o ministro pode tanto rejeitar a delação — o que geraria desgaste para ele próprio e para o STF — quanto simplesmente deixar o assunto “na gaveta” até depois das eleições.
Investigação e ramificações do caso
De acordo com a análise, a delação de Freixo Júnior tocaria diretamente na questão do patrocínio ao filme Dark Horse. O dinheiro teria sido direcionado ao fundo Heaven Gates, sediado no Texas, chegando posteriormente a Paulo Calixto, descrito como próximo de Eduardo Bolsonaro.
Na avaliação de integrantes do PT, a colaboração poderia ainda alcançar o custeio da estadia de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde ele teria realizado movimentações políticas junto ao governo norte-americano.
De acordo com informações confirmadas pelo repórter da CNN Elijonas Maia, revelou que Vorcaro teria repassado mais de um milhão e meio de dólares à produtora do filme — valor superior ao que Flávio Bolsonaro havia declarado anteriormente. Dados do COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) indicaram que meses após o prazo mencionado por Flávio Bolsonaro, novos aportes ainda foram realizados.
Apreensão no PT e estratégia eleitoral
O poder concentrado nas mãos de Mendonça gera “muita apreensão no PT, no Comitê Eleitoral e no Palácio do Planalto”, segundo Venceslau. A avaliação interna é de que o caso não chegará diretamente ao presidente Lula, mas que o desgaste político é inevitável. Diante disso, o PT adotou uma estratégia coordenada nas redes sociais, cobrando a abertura dos inquéritos relacionados ao Dark Horse e o fim do sigilo que, segundo os petistas, beneficiaria Flávio Bolsonaro de forma seletiva.
Venceslau observou que Fernando Haddad, em entrevista coletiva realizada em São Paulo, abriu a conversa com jornalistas questionando exatamente esse ponto: “Por que o processo do Flávio Bolsonaro segue em sigilo? Todo mundo sendo exposto, mas expõe com seletividade. Por que o Flávio Bolsonaro é preservado e até quando?” O analista ressaltou que Éden Valadares, secretário de Comunicação Nacional do PT, publicou mensagem nas redes sociais cobrando a abertura dos inquéritos.
A pressão, segundo Venceslau, é feita de forma indireta — sem citar nominalmente André Mendonça — mas tem como alvo o responsável pelo caso, na expectativa de que a abertura do sigilo ofereça ao campo governista munição para “equilibrar o jogo” eleitoral.

