Em 2026 é celebrado centenário da viagem que Marie Curie (1867-1934) fez ao Brasil com a filha mais velha, Irène Curie (1897–1956), para auxiliar em conferências sobre radiologia realizadas no país naquela época.
A polonesa foi uma das responsáveis por introduzir as mulheres na ciência e por desenvolver teses que até hoje são importantes no mundo da pesquisa aplicada. A profissional se destacou por incentivar estudantes, muitas delas mulheres, nas pesquisas sobre radiologia, incluindo a formação técnica em raio X.
De acordo com informações do Observatório Nacional (ON/MCTI), Marie Curie já havia recebido dois prêmios Nobel antes de sua chegada ao Brasil. Um foi o reconhecimento por sua atuação na Física (1903), enquanto o outro destacou suas contribuições para a Química (1911).
A vinda ao país aconteceu com o apoio do recém-criado Instituto Franco-Brasileiro de Alta Cultura. A cientista realizou 11 conferências na Escola Politécnica do Rio de Janeiro e participou de eventos diplomáticos, políticos e culturais ao longo de 44 dias.
Nas aulas, ela demonstrou experimentos radiológicos que foram transmitidos via rádio e doou agulhas de rádio essenciais para o tratamento oncológico no Instituto de Radium de Belo Horizonte.
De acordo com registros digitalizados do extinto jornal Correio da Manhã e de O Paiz, Marie Curie administrou cursos sobre o elemento rádio ao longo do tempo em que conheceu a cidade.
Em uma visita ao Serviço Geológico e Mineralógico, a cientista e Irène receberam do geólogo mineiro Euzébio de Oliveira (1883–1939) um estojo com 24 pedras preciosas, quatro exemplares de minerais radioativos e um cartão de ouro com uma dedicatória a ela.
Um relatório do órgão disponibilizado na Agência Nacional de Mineração (ANM) de São Paulo que foi publicado em 1928 detalha a importância da visita de Marie Curie ao Brasil. Nele, é destacado como os gases e a radioatividade da água brasileira passaram a ser estudados graças às conferências ministradas pela polonesa no país.
Os estudos de radioatividade feitos por Curie foram mostrados aos brasileiros antes mesmo de serem publicados em seus relatórios na Europa nos anos seguintes, sendo depois complementados nos relatórios do Serviço Geológico e Mineralógico que estão disponíveis atualmente.
Atualmente, a radiologia é uma aliada em tratamentos oncológicos no mundo e serve como uma ferramenta nos diagnósticos que usam a radiografia.
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