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Justiça mantém prisão de PM réu por morte de estudante de medicina em SP

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Justiça mantém prisão de PM réu por morte de estudante de medicina em SP

A Justiça de São Paulo decidiu manter a prisão preventiva do policial militar Bruno Carvalho do Prado, réu pela morte do estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta, de 22 anos. A decisão é da juíza Luiza Torggler Silva, da 4ª Vara do Júri de São Paulo, e foi proferida em 27 de agosto.

A magistrada negou o pedido da defesa para revogar a prisão e considerou que continuam presentes os fundamentos que levaram à custódia do policial, principalmente diante de indícios de reiteração criminosa em um caso de violência doméstica.

Bruno Carvalho do Prado e o também policial militar Guilherme Augusto Macedo respondiam em liberdade ao processo pela morte de Marco Aurélio. Os dois foram pronunciados a júri popular em fevereiro de 2026.

A prisão preventiva de Bruno foi decretada em 31 de julho, após pedido do MPSP (Ministério Público de São Paulo) e da assistência de acusação da família da vítima.

A decisão ocorreu após um novo episódio de violência atribuído ao policial enquanto ele aguardava o julgamento. Segundo investigação, o PM teria agredido fisicamente e ameaçado de morte a própria companheira em abril de 2026.

Entenda: Justiça decreta prisão preventiva de PM réu pela morte de Marco Aurélio

De acordo com a denúncia, a vítima teria sofrido golpes que provocaram hematomas pelo corpo. O policial também teria dito que iria colocá-la no caixão.

Ainda segundo a acusação, durante o episódio, Bruno teria ido até o cômodo onde guardava sua arma de fogo institucional. Assustada, a companheira teria fugido descalça de casa para pedir socorro.

A defesa argumentou que a companheira havia apresentado uma retratação sobre os fatos. A juíza, porém, rejeitou o argumento. A decisão também aponta que o próprio juízo especializado colocou em dúvida a espontaneidade da retratação apresentada pela vítima.

Paralelamente, a Justiça suspendeu o porte e a posse de arma de fogo de Bruno, determinou seu afastamento das funções policiais e ordenou a entrega da arma funcional.

Para manter a prisão, a magistrada citou a necessidade de garantir a ordem pública e o risco concreto de reiteração criminosa.

A CNN Brasil não localizou a defesa de Bruno. O espaço segue aberto.

Relembre a morte de Marco Aurélio

Marco Aurélio Cardenas Acosta, de 22 anos, morreu em 20 de novembro de 2024, após ser baleado por policiais militares durante uma abordagem dentro de um hotel na Vila Mariana, na zona Sul de São Paulo.

O estudante estava no último ano do curso de medicina na Universidade Anhembi Morumbi. Ele também era conhecido no meio universitário e artístico como “Bilau” ou “MC Boy da VM”.

Na versão registrada inicialmente pelos policiais, Marco Aurélio estaria “bastante alterado”, teria resistido fisicamente à abordagem e tentado pegar a arma de um dos agentes.

Imagens das câmeras de segurança do hotel, porém, mostraram outra dinâmica, segundo a investigação. As gravações indicaram que o estudante estava acuado e desarmado e não teria tentado pegar a arma dos policiais.

O Ministério Público de São Paulo denunciou Bruno Carvalho do Prado e Guilherme Augusto Macedo por homicídio qualificado. Os dois foram pronunciados para responder ao caso perante o Tribunal do Júri.

Família cobra responsabilização

Em relato à CNN Brasil, o pai de Marco Aurélio, Júlio César Navarro, expressou alívio com os desdobramentos judiciais. Em depoimento, declarou que a Justiça não tem o poder de devolver os filhos às suas mães, mas tem o dever de impedir que a impunidade caminhe livremente.

Ao manter a prisão, o STJ não diminuiu minha saudade apenas impediu que ela continuasse sendo humilhada.

Júlio Céser Navarro, pai de Marco Aurélio

Em dezembro de 2025, os familiares receberam o diploma de formatura póstumo do estudante no curso de medicina.

O pai afirma que a família segue travando disputas na corregedoria civil e militar pelo andamento de PADs (Processos Administrativos Disciplinares) que recomendam a expulsão definitiva dos policiais envolvidos e a responsabilização de agentes que atuaram com o classifica como “inércia” na noite da morte de seu filho.

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo

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