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Expointer: Cooperativas buscam competitividade com acordo Mercosul-UE

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Expointer: Cooperativas buscam competitividade com acordo Mercosul-UE

As mudanças impostas pelo Acordo Comercial Interino (ITA) entre Mercosul e União Europeia, que passou a valer em 1º de maio, exigirão das cooperativas gaúchas estratégias para enfrentar a maior concorrência no mercado interno e, ao mesmo tempo, identificar oportunidades de acesso ao mercado europeu.

A avaliação é da professora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Kelly Bruch durante debate promovido pelo Sistema Ocergs, na Casa do Cooperativismo da Expointer.

Kelly abordou os desafios e oportunidades trazidos pelo acordo com foco nos produtos mais impactados: vinhos, carnes, arroz, queijos, leites e embutidos.

“Vamos ter uma desgravação tarifária, com redução dos impostos de importação em vários setores. As cooperativas precisam estar atentas e se preparar para uma concorrência maior, porque produtos europeus poderão chegar ao mercado brasileiro com a mesma tributação e, em alguns casos, maior competitividade”, explica Kelly.

Ao mesmo tempo, a abertura pode criar oportunidades para produtos brasileiros no mercado europeu, desde que as cooperativas estejam preparadas para atender exigências técnicas, sanitárias, de certificação e de posicionamento.

“Produtos de nicho e de maior valor agregado podem se destacar, uma vez que o consumidor europeu valoriza produtos que carregam história, origem e coletividade, e esse é um diferencial que o cooperativismo gaúcho pode explorar”, acrescenta a pesquisadora.

Um dos pontos destacados pela professora foi a importância da origem como elemento de diferenciação e geração de valor. A proteção das indicações geográficas e de origem previstas no acordo criam desafios para produtos brasileiros que utilizam determinadas denominações europeias, mas também pode fortalecer a valorização de produtos brasileiros associados a uma origem reconhecida.

Identidade cooperativista como diferencial

Nesse contexto, a identidade cooperativista também pode ser utilizada como elemento de diferenciação. O carimbo SomosCoop, presente nas embalagens e na comunicação de produtos e serviços de cooperativas, permite comunicar ao consumidor a origem cooperativista e os atributos associados a esse modelo de negócio.

Para Kelly, o uso da marca pode ajudar as cooperativas a comunicar uma característica que ganha relevância diante da maior concorrência internacional: a relação entre produto, território e produtores.

“O carimbo é uma opção interessante, especialmente se a gente aprender a divulgar para o consumidor o que ele significa. Não é uma empresa, é uma cooperativa: são produtores que estão juntos para fazer um produto que vai da casa deles para a casa do consumidor. Se soubermos comunicar isso, com certeza vai agregar muito valor”, afirma.

A professora também destacou que essa identidade pode contribuir para posicionar produtos cooperativos em mercados que valorizam produtos de nicho e com origem conhecida. No Rio Grande do Sul, cerca de 150 cooperativas já utilizam o carimbo SomosCoop.

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