Poucos veículos têm uma relação tão longa com a história da indústria automotiva brasileira quanto a Volkswagen Kombi. O modelo não apenas participou da formação da marca no país como também foi o primeiro veículo efetivamente produzido pela Volkswagen do Brasil, antes mesmo do Fusca. Sua trajetória começou na montagem de unidades importadas e terminou em 2013, depois de mais de cinco décadas de fabricação nacional.
A história brasileira começou em 1953, quando a Volkswagen iniciou suas atividades em um galpão na Rua do Manifesto, no bairro do Ipiranga, em São Paulo. Entre 1953 e 1957, foram montados ali 2.820 veículos, sendo 552 Kombi. A produção nacional começou em 2 de setembro de 1957, na fábrica de São Bernardo do Campo (SP). Naquele momento, metade dos componentes era fabricada no Brasil. Por isso, todos os anos, nessa data, os fãs celebram o Dia Nacional da Kombi.
A paixão pela Kombi é tanta que o carro tem dois aniversários celebrados: além da data nacional, a própria Volkswagen oficializou 2 de junho como Dia Internacional da Kombi, que coincidiu com o lançamento nos Estados Unidos da ID. Buzz, a “Kombi elétrica”. Há ainda uma terceira data, o 8 de março, que remete ao início da produção do veículo na Alemanha em 1950.

O nome Kombi vem de Kombinationsfahrzeug, expressão alemã relacionada à ideia de veículo combinado para transporte de passageiros e carga. No Brasil, o modelo utilizava inicialmente motor boxer de quatro cilindros, 1.200 cm³, refrigerado a ar, com 30 cv.
A linha foi sendo ampliada ao longo dos anos. A configuração de seis portas apareceu ainda no início da década de 1960, enquanto a picape chegou em 1967, já com motor 1.500 cm³ e sistema elétrico de 12 volts.

Em 1975, a Kombi recebeu atualização visual e passou a utilizar motor 1.600 cm³ de 58 cv. Três anos depois, a adoção de dupla carburação elevou a potência para 65 cv.
A década de 1980 trouxe novas alternativas mecânicas. Em 1981, o modelo ganhou motor 1.6 a diesel e configuração de cabine dupla. No ano seguinte, surgiu a opção do etanol. A evolução também alcançou os sistemas de segurança. Em 1992, a Kombi tornou-se o primeiro utilitário nacional equipado com catalisador e recebeu servo-freio a vácuo, freios a disco dianteiros e válvulas moduladoras de pressão nas rodas traseiras.

Kombi teto alto
Uma das maiores transformações ocorreu no final de 2005, quando o tradicional motor refrigerado a ar foi substituído pelo 1.4 EA111 Total Flex, capaz de utilizar gasolina, etanol ou qualquer combinação dos dois combustíveis. A mudança aumentou a potência e melhorou o consumo em relação ao conjunto anterior.
A produção brasileira terminou em agosto de 2013. O produto saiu de linha, pois não era equipado com freios ABS ou duplo airbag. Para marcar a despedida, a Volkswagen criou a série Kombi Last Edition, limitada a 1.200 unidades.

Kombi segue viva
Fora do Brasil, entretanto, a história da Kombi segue viva até hoje. O modelo original surgiu na Alemanha em 1950 como T1, derivado da arquitetura do Fusca. Desde então, a linhagem ultrapassou 12,5 milhões de unidades produzidas e continua em linha na sétima geração, a T7. Além disso, desde 2022, a marca comercializa um produto que tem a mesma alma, a minivan elétrica ID.Buzz.
A conexão entre passado e eletrificação ganhou força em 2023, quando a Volkswagen utilizou a Kombi em uma campanha pelos 70 anos da marca no Brasil. O filme colocou o modelo clássico ao lado do ID.Buzz, sua interpretação elétrica contemporânea. A marca usou a técnica do deepfake para recriar Elias Regina cantando a música “Como Nossos Pais”. A produção, claro, foi autorizada pela família.

A Volkswagen chegou a anunciar a chegada do ID.Buzz ao país em lote limitado de 70 unidades para assinatura. O modelo, porém, não se consolidou comercialmente no mercado brasileiro e permanece indisponível.
Mesmo fora de linha desde 2013 e sem vencer a versão elétrica, a Kombi continua relevante no Brasil. Durante décadas, ela esteve presente no transporte de famílias, trabalhadores, comerciantes e pequenas empresas. Mais do que um produto industrial, tornou-se parte da paisagem urbana brasileira e da memória de diferentes gerações.

