O setor de mel aguarda, com otimismo, a decisão da UE (União Europeia) acerca do bloqueio ou manutenção das exportações de produtos brasileiros de origem animal. A decisão do bloco será anunciada na próxima quinta-feira (3).
A decisão, que envolve o cumprimento das regras sobre o uso de antimicrobianos e antibióticos na produção animal, também atinge o setor de aves, carne bovina e ovos. No caso do mel, mesmo que o bloco europeu não represente o principal destino do produto orgânico brasileiro, o ritmo das exportações tem aumentado e poderiam se beneficiar em caso de manutenção dos embarques.
Segundo Renato Azevedo, presidente da Abemel (Associação brasileira dos exportadores de mel), a possibilidade de embarques para a União Europeia ainda é importante, mesmo que o bloco não seja o principal destino do produto brasileiro.
“Estamos fazendo um esforço para ampliar destinos, então caso a interrupção de embarques seja efetivada não será algo positivo. No entanto, percebemos que a União Europeia está mostrando flexibilidade e isso nos dá uma perspectiva positiva”, disse à CNN Brasil.
Azevedo destaca o crescimento dos embarques para o bloco e o potencial de novos mercados, objetivo buscado pelo setor. “Se compararmos o primeiro semestre de 2025 e 2026, dobramos as exportações para a União Europeia. Cerca de 5% dos embarques brasileiros de mel tinham o bloco como destino no primeiro semestre do ano passado, neste ano a proporção subiu para 10% no mesmo período”, destacou.
Para o líder, o mel orgânico do país é tradicionalmente reconhecido por ser puro, certificado e controlado. “A fiscalização é positiva e pode reconhecer a qualidade do mel brasileiro pelo bloco europeu. A partir do reconhecimento dos protocolos da indústria, o caminho para o reconhecimento dos argumentos do Ministério da Agricultura é viabilizado”, concluiu.
A possibilidade de suspensão das importações brasileiras acontece após o reconhecimento do Brasil como país inapto a cumprir as exigências relacionadas ao uso de determinadas substâncias no processo produtivo. Em março, o setor apícola já havia enfrentado a ameaça de imposição de tarifas pelo USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos).

