O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmava ter “amigos” dentro do BC (Banco Central) que acompanhavam os processo envolvendo o Banco Master. Mensagens obtidas pela PF (Polícia Federal) indicam que o empresário tinha informantes dentro da autoridade monetária.
Em outubro de 2025, Vorcaro teria relatado ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), haver “nomes que tem ido ao Bacen alegando que farão algo em breve”. Ele relatou ao ministro ter recebido “informações informais” sobre o Banco Central.
“De pessoas de dentro do Bacen que são meus amigos e ficaram preocupados. Eles participaram das reuniões, por isso info 100%. Eu não posso queimá-los pq tinham poucas pessoas e saberão que me falaram, se isso chegar no G. Então temos que ter cuidado de como conduzir com o G depois”, disse.
A troca de mensagens ocorreu antes da liquidação extrajudicial do Master, decretada em novembro do ano passado. A PF suspeita que “G” seja uma referência ao presidente do BC, Gabriel Galípolo.
Os diálogos constam em relatório da PF, que foi tornado público pelo ministro André Mendonça, do STF, nesta terça-feira (1º).
Na semana passada, Vorcaro prestou depoimento sobre o suposto recebimento de informações privilegiada de dois ex-servidores do BC suspeitos de favorecer o Master em troca de vantagens financeiras.
Após a oitiva, a defesa do ex-banqueiro afirmou, em nota, que “restou demonstrado, em especial, que não houve qualquer ato de corrupção envolvendo os servidores mencionados na investigação em curso”.
A PF investiga se Vorcaro recebeu informações de dois funcionários que teriam atuado como “espiões” do banqueiro dentro do BC.
Como a CNN mostrou, as investigações apontam que a PF encontrou, no celular de Vorcaro, um grupo de WhatsApp batizado de “grupo Master”, que reunia o próprio Vorcaro e dois servidores do BC: Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, ambos do Departamento de Supervisão Bancária.

