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IPCA-15 melhora perspectiva para juros, mas exige cautela de investidores

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
IPCA-15 melhora perspectiva para juros, mas exige cautela de investidores

Na última quarta-feira (26), o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15), registrou uma queda de 0,40% em agosto, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). 

A surpresa positiva do índice impactou os investidores que possuem títulos prefixados ou em papéis atrelados ao IPCA com vencimentos mais longos. 

Com a melhora das perspectivas para a inflação e a consequente queda das taxas oferecidas no mercado, esses ativos podem apresentar valorização antes mesmo do vencimento por meio da marcação a mercado.

Segundo Marilia Fontes, apresentadora do Resenha do Dinheiro, a deflação registrada no índice significa que, na média, houve de fato uma redução dos preços dos itens que compõem o indicador. 

“Quando a inflação cai de 0,40% positivo para 0,30%, não significa que os preços caíram, significa só que eles subiram menos. Essa diferença ajudou o mercado a recalibrar as apostas para os juros. Para o investidor, uma eventual queda das taxas tem efeito sobre os títulos já adquiridos a juros mais elevados”, afirma Marilia. 

Além disso, Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb, pondera que os investidores com estratégias de prazo mais longo podem se beneficiar. 

“Quem possui essa estratégia de prefixado ou IPCA+ 2050, um prazo bem alongado, se beneficia da marcação a mercado. Quando o cenário melhora, esses títulos, caso você resgate antes do vencimento, também têm uma rentabilidade bem acima”, destaca.

Apesar do impacto positivo da deflação sobre as expectativas de juros, é preciso olhar para a composição do indicador antes de interpretar o resultado como uma mudança estrutural da inflação brasileira. 

“Essa deflação é muito positiva, mas boa parte disso foi por conta da energia elétrica, no bônus de Itaipu, que fez abaixar bastante. O efeito não necessariamente deve se repetir nos próximos meses”, observa Thiago Godoy, educador financeiro. 

O problema, segundo a apresentadora, é que o ponto de atenção está na inflação de serviços, considerada mais relacionada à dinâmica estrutural dos preços.

Por isso, uma queda dos juros precificada pelo mercado poderia ocorrer antes de uma melhora efetivamente consolidada da inflação. 

“O risco é acabar caindo mais os juros ou o mercado precificar uma queda super relevante por conta de um efeito temporário, que é o bônus de Itaipu, e sem se preocupar com o resto da inflação”, avalia Fontes. 

A consequência seria uma possível reprecificação dos ativos caso a inflação volte a pressionar. 

“O mercado vai precificar a queda porque sabe que o BC quer a Selic menor, mas vai ser por um motivo transitório e não permanente e, portanto, vai gerar mais risco para a inflação futura”, complementa.

A queda das taxas já trouxe ganhos expressivos para quem comprou prefixados quando os juros estavam em níveis mais elevados. 

Para Marilia, investidores que conseguiram contratar esses papéis quando as taxas se aproximaram de 15% agora encontram um cenário bastante diferente. 

“Agora o prefixado valorizou bastante no curto prazo. Quem comprou alto, nos seus quase 15% que chegou a bater o prefixado, está se beneficiando”, diz.

Resenha do Dinheiro

Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb, Thiago Godoy, o “Papai Financeiro” e Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.

O Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.

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