O governo federal enviou nesta segunda-feira (31) o PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual), com uma projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 2,46% para 2027. A estimativa, no entanto, está muito acima do que projeta o mercado financeiro, que aponta expansão de apenas 1,5% para o mesmo período, segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central. A analista de Economia da CNN Lucinda Pinto comenta o tema ao CNN Prime Time.
Ceticismo do mercado
Segundo Lucinda, o mercado e os economistas estão olhando para o PLOA “com um pouco de ceticismo, porque os parâmetros que foram estabelecidos estão muito diferentes do que o mercado projeta atualmente”.
Lucinda destacou ainda que existe até uma possibilidade de revisão para baixo da estimativa de crescimento do mercado, “por causa dos recentes indicadores que foram conhecidos”.
Orçamento e superávit
O orçamento total previsto no PLOA está em R$ 7,4 trilhões. Um ponto de atenção, segundo Lucinda Pinto, é que mais da metade desse valor — cerca de R$ 3,6 trilhões — é destinada ao pagamento de juros.
“Isso já é uma demonstração de que o governo tem um orçamento para pagar suas contas, mas provavelmente vai precisar tomar novas dívidas para conseguir bancar o custo financeiro que essa dívida tem”, afirmou a analista.
A meta de superávit permanece em R$ 73,2 bilhões. O governo prevê um superávit efetivo de R$ 18 bilhões, valor bem abaixo da meta. Contudo, ao considerar os gastos que podem ser excluídos da meta pela legislação vigente, o governo afirma que o resultado chegaria a mais de R$ 80 bilhões.
Lucinda Pinto alertou, porém, que “com essa projeção de crescimento do PIB, esse número acaba sendo inflado”, uma vez que o governo utiliza essa estimativa para calcular as projeções de arrecadação.
Salário mínimo e despesas obrigatórias
O PLOA também prevê o salário mínimo em R$ 1.741,00, representando um crescimento de 7,4% em relação ao valor anterior. Além disso, o documento aponta uma pequena queda nas despesas obrigatórias, mas, segundo Lucinda Pinto, “não fica claro como é que esse corte vai ser feito”.
A analista ressaltou que especialistas consideram difícil compreender de que forma o governo pretende alcançar essa redução de despesas.

