A Suzano informou ao mercado, nesta segunda-feira (31), que assinou um acordo com o Grupo Imetame para adquirir participação de 10% na Imetame Logística Porto S.A., empresa responsável pelo desenvolvimento de um complexo portuário greenfield em construção no município de Aracruz, no litoral norte do Espírito Santo.
O empreendimento prevê a construção de cinco terminais especializados com contêineres, carga geral, granel sólido, granel líquido e operações do tipo ship-to-ship (transferência de carga entre embarcações).
Segundo o comunicado divulgado pela companhia, a entrada da Suzano no negócio será feita por meio do aporte de terrenos de sua propriedade, estrategicamente localizados para o desenvolvimento do porto.
A empresa afirma que a operação não deve gerar impacto no desempenho operacional ou econômico da sua Unidade Aracruz, fábrica de celulose situada na mesma região.
Cronograma em duas fases
De acordo com o comunicado, o hub portuário deve iniciar as operações de carga geral no começo de 2027, com escopo limitado às atividades previstas para a primeira fase do projeto.
Já o terminal de contêineres, que será uma joint venture com participação de 50% da Hanseatic Global Terminals (HGT), braço de terminais portuários da armadora alemã Hapag-Lloyd, tem entrada em operação prevista para meados de 2028. A Hapag-Lloyd é atualmente a quinta maior armadora de contêineres do mundo.
Segundo a Suzano, o terminal terá capacidade futura estimada em cerca de 1,2 milhão de TEUs por ano, 750 metros de cais e equipamentos de última geração para movimentação de contêineres. Com 17 metros de profundidade, a estrutura poderá receber embarcações de grande porte, o que, segundo a companhia, deve favorecer a competitividade logística do terminal. Os demais terminais do complexo serão implantados em etapas posteriores, conforme o cronograma de desenvolvimento do projeto.
Sem impacto relevante no Capex
A companhia foi enfática ao sinalizar que a operação tem peso limitado em sua estrutura de capital. A Suzano estima que o negócio não representa investimento relevante sob a ótica de seu plano de investimentos para os próximos anos, e não há Capex previsto para 2026 associado à participação na Imetame Logística.
O movimento chama atenção justamente por vir na esteira dos mais de R$ 70 bilhões investidos pela companhia nos últimos cinco anos em expansão de capacidade, como a fábrica do Projeto Cerrado, em Ribas do Rio Pardo (MS).
Como mostrou a CNN Brasil em julho, a companhia entrou em uma fase de foco na geração de valor sobre os ativos já instalados, sem planos de novos projetos para ampliar a capacidade de produção de celulose.
A entrada na Imetame Logística se encaixa nessa lógica, um investimento de baixo desembolso de caixa, viabilizado pela monetização de ativos fundiários que a empresa já possui na região, em vez de um novo ciclo de grandes aportes.
Estratégia de monetização de ativos fundiários
Em nota, a Suzano afirma acreditar que a operação está alinhada à sua estratégia de criação de valor de longo prazo, combinando o expertise da companhia em logística portuária com o potencial de monetização de seus ativos de terra.
A empresa destaca ainda a parceria com grupos “reconhecidos por sua capacidade de desenvolvimento e operação de empreendimentos de infraestrutura” como um fator que reforça o potencial do porto de se consolidar como uma plataforma logística relevante para o comércio exterior brasileiro.
O fechamento da operação está sujeito ao cumprimento de condições precedentes usuais de mercado para esse tipo de transação, incluindo a aprovação por parte da autoridade regulatória.
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