Os pinguins-imperadores, a maior ave da família dos pinguins, estão enfrentando um cenário de mudanças na Antártida provocado pela redução do gelo marinho costeiro. Algumas pesquisas indicam que a espécie pode desaparecer até 2100 devido à possibilidade de seus habitats se tornarem inabitáveis.
A análise foi divulgada pelo Observatório da Nasa na última quarta-feira (26). De acordo com a agência, pesquisadores utilizaram imagens de satélites para investigar como as colônias respondem às alterações nas condições do gelo.
Os pinguins-imperadores dependem do “gelo marinho costeiro”, aquele que permanece preso à margem do continente, para reprodução, criação dos filhotes e troca de plumagem (conjunto de penas que reveste a ave).
O problema é que a cobertura de gelo marinho da Antártida passou a apresentar uma tendência de queda desde 2016, intensificado pelo aquecimento global e outras mudanças climáticas.
Como modo de sobrevivência, as colônias tendem a se deslocar de seus locais originais para se estabelecerem perto de icebergs e enseadas, utilizando locais temporários para sua reprodução. Isso mostra uma capacidade maior de adaptação do que se era esperado pelos cientistas.
“Essa disposição para se mover pode representar uma adaptação útil à medida que as temperaturas dos oceanos esquentam e o gelo marinho diminui, embora tenha alertado que a flexibilidade comportamental sozinha não necessariamente compensará os efeitos de longo prazo da perda contínua de gelo marinho”, explicou Grant Macdonald, cientista de sensoriamento remoto da Universidade de Durham.
Macdonald lidera um dos estudos que busca entender sobre a reprodução e o modo de vida dos pinguins. Ao todo, estima-se que há 66 colônias espelhadas pela Antártica.
Apesar disso, as mudanças climáticas continuam sendo uma ameaça para a espécie. O Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos listou os pinguins-imperadores como ameaçados em 2022, e a União Internacional para a Conservação da Natureza os classificou como ameaçados em 2026.

