Já pensou em largar tudo e sair por aí viajando? E se fosse usando uma bicicleta? Essa é a história de Georgios Beinis, que deixou o município de São Vicente, no litoral de São Paulo, para pedalar até a cidade de Ushuaia, na Argentina.
Após percorrer milhares de quilômetros por estados brasileiros e países vizinhos, continua seguindo rumo ao destino final.
Origem e inspiração
Não é apenas o seu nome que se origina da Grécia. Nascido em Atenas, Georgios veio para o Brasil com apenas 3 anos de idade. Filho de um capitão da Marinha grega com uma brasileira de São Vicente, retornou ao litoral paulista após a morte do pai. Durante a adolescência e a vida adulta trabalhou em várias funções, mostrando sua vocação para desafios diferentes.
Ao descobrir o caminho de outros ciclistas viajando para Ushuaia, conhecida como a “cidade do final do mundo”, vislumbrou uma nova oportunidade.
Jornada de superação
Após usar o valor da rescisão de seu último emprego como ajudante de pedreiro – cerca de R$ 4 mil – para quitar pendências e pagar contas pessoais, ficou com apenas R$ 48 na carteira para dar início a sua viagem.
“As pessoas acham que precisam de muito para ter as coisas. Com a bicicleta, meu intuito é esse: mostrar que, com o básico e com o pouco, a gente consegue fazer muitas coisas”, comentou.
Pelo caminho tem encontrado dificuldades com os altos custos de estadia. Com marchas limitadas, sua bicicleta precisa ser empurrada em subidas mais íngremes. Ao passar pela travessia de Altas Cumbres, chegou a 2.850 metros de altitude e precisou empurrar a bicicleta por cerca de 100 quilômetros.
Para garantir o celular em funcionamento, sempre anda (e pedala) com três carregadores portáteis, aproveitando passagens por postos de combustíveis e demais localidades com energia elétrica.

História compartilhada e parceira de viagem
Ao divulgar sua aventura nas redes sociais, Georgios passou a contar com apoio financeiro de seus seguidores, cerca de 8 mil pessoas. Sua maior recompensa, segundo ele, é a própria viagem: após chegar a Ushuaia, disse que pretende retornar para o Brasil, também de bicicleta.
Apelidada de “Azulzinha”, sua bicicleta apresentou problemas durante o trajeto, com um pneu furado, problemas no freio e até na marcha.
Os quatro parafusos das rodas estavam soltos mas, durante a compra da reposição, recebeu o material de graça do dono da loja que o reconheceu das mídias sociais. Na mesma sequência, recebeu um pneu novo para a dianteira da bicicleta de uma seguidora.
O frio no caminho
As roupas trazidas do Brasil não oferecem a proteção adequada contra as temperaturas negativas encontradas nos Andes. Georgios já precisou usar quatro calças, três blusas e várias meias ao mesmo tempo.
Com o zíper da sua barraca quebrado, precisou ainda improvisar uma lona para dormir. Os gastos com a barraca, os consertos da bicicleta e as roupas térmicas esgotaram o orçamento limitado.

Destino final e quilometragem
Georgios pretende chegar a Ushuaia entre o fim de outubro e o início de novembro. Do seu destino inicial, em São Vicente, são cerca de 5.270 quilômetros até Ushuaia, em uma viagem marcante e inesquecível. Tanto para Georgios, quanto para quem o acompanhou no caminho.

