Antes do início da chave principal do US Open 2026, jogadores voltaram a reclamar do cheiro de maconha que se espalha pelas quadras externas e de treino do torneio, alegando que o odor pode se tornar uma distração durante as partidas.
A britânica Katie Boulter, número 1 do Reino Unido e nº 60 do mundo, foi uma das mais vocais sobre o assunto. Ela estreia a campanha em Nova York contra a norte-americana Carol Young Suh Lee, convidada pela organização (wild card).
“Sim, já vivenciei isso. Você desce até as quadras de treino, nas quadras do parque, e sente o cheiro bastante. Não sou muito fã disso”, afirmou Boulter, que já disputou a chave principal do US Open cinco vezes, ao jornal “The Times”.
A tenista também revelou já ter sentido o odor durante uma partida oficial: “Sei que muitos jogadores reclamaram de algumas quadras específicas. Já joguei em uma delas e senti o cheiro durante minha partida. Não é algo que eu gostaria de sentir no meio da minha partida.”
Cheiro vem de parque vizinho ao complexo do torneio
Segundo Boulter, o problema vai além do incômodo do odor em si: “Estou tentando focar e, obviamente, isso te tira do momento, e você realmente não quer isso. Você não precisa de distrações. Então, sim, não sou muito fã.”
A maconha é legal para adultos a partir de 21 anos em Nova York desde 2021. Embora o consumo seja proibido dentro do recinto do US Open, o cheiro se espalha a partir do Corona Park, parque público vizinho ao Billie Jean King National Tennis Center.
O problema costuma ser sentido com mais intensidade na Quadra 17, a mais próxima da área verde. Além de Boulter, as compatriotas britânicas Fran Jones e Harriet Dart também comentaram a situação antes do início da chave principal, embora Jones tenha tratado o assunto com bom humor.
A USTA, federação norte-americana de tênis, afirmou que “continua vigilante” em relação ao problema, mas reconheceu que não tem controle sobre o que acontece fora dos limites do torneio, já que o cheiro parte de uma área pública adjacente.
Reclamações se repetem a cada edição do torneio
O incômodo com o cheiro de maconha não é novidade em Flushing Meadows. Em 2025, o norueguês Casper Ruud, então nº 20 do mundo, chamou o odor de “a pior coisa” de Nova York, a ponto de a imprensa dinamarquesa apelidar a Quadra 17 de “hash-banen” (“quadra do haxixe”, em tradução livre).
Em 2023, a grega Maria Sakkari também relatou ter sentido o cheiro durante uma partida, comparando a sensação, em tom de brincadeira, à “sala de estar do Snoop Dogg”. Já em 2022, o australiano Nick Kyrgios alegou que a fumaça de um torcedor nas arquibancadas piorava sua asma durante o jogo.
Com reclamações se repetindo a cada nova edição do US Open, o tema voltou a ganhar destaque já nos primeiros dias do torneio de 2026, reacendendo o debate sobre como a organização pode lidar com um problema que, segundo a própria USTA, está fora de seu controle direto.
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(publicado por Luccas Oliveira)

