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‘Supermachos’ são criados por cientistas para combater espécie invasora de peixe

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)

Para combater a presença das trutas-das-fontes invasoras (Salvelinus fontinalis) em rios, cientistas estão criando novos animais dessa mesma espécie. As novas trutas são geneticamente modificadas, chamadas de “supermachos” e feitas para erradicar a população.

Os supermachos, que também são chamados de machos Troianos YY, possuem dois cromossomos Y em vez de um. Quando os supermachos se acasalam com trutas fêmeas selvagens, os descendentes são todos machos — eventualmente produzindo uma população composta apenas por machos idosos, que não podem se reproduzir.

No rio West Fork Black River, no Arizona, a proporção da população masculina subiu para 61% no ano passado. Segundo Zachary Beard, gerente do programa estadual de aquáticos nativos do Departamento de Caça e Pesca do Arizona, o aumento é considerado “um bom sinal”.

Em julho deste ano, cientistas demonstraram que os supermachos erradicaram as trutas-das-fontes de dois riachos em Idaho.

De acordo com Thais Bernos, da Universidade de Vermont, a demonstração de que os supermachos funcionam se tornará muito útil, já que pesquisadores estão agora desenvolvendo supermachos para combater outros peixes invasores que representam uma séria ameaça às espécies nativas.

O estudo foi publicado na revista científica Transactions of the American Fisheries Society e realizado por Dan Schill, Kevin Meyer e outrs colaboradores da IDFG (Idaho Fish and Game).

Combate de peixes invasores

As principais formas de combate a peixes invasores usadas nas últimas décadas incluem venenos como a rotenona, um produto químico de origem vegetal, e a pesca elétrica, que usa corrente elétrica para atordoar os peixes em massa, permitindo que os animais indesejados sejam removidos enquanto flutuam na superfície.

A rotenona, porém, mata tanto peixes nativos quanto invasores, enquanto a pesca elétrica não funciona bem em corpos d’água maiores e, em outros casos, os peixes se adaptam.

Ambas as abordagens têm dificuldade para remover 100% dos invasores e, segundo George Schisler, chefe de pesquisa aquática da Colorado Parks and Wildlife, alguns sobreviventes já são o suficiente para arruinar o esforço, já que, quando um casal de peixes se reproduz, tudo recomeça. 

Em 2008, Dan Schill, pesquisador aposentado, mas que na época atuava como supervisor de pesquisa pesqueira no IDFG, decidiu testar a criação dos supermachos.

Supermachos

Em uma reunião, Schill ouviu um matemático descrever um modelo que mostrava como um supermacho poderia levar uma espécie invasora à extinção.

Acompanhado de alguns colegas, eles decidiram testar esse na truta-das-fontes, um peixe prolífico vindo do leste dos Estados Unidos e que foi introduzido no oeste da América do Norte há mais de um século.

Schill considera que as trutas-das-fontes eram um alvo fácil para os teste porque amadurecem rapidamente, facilitando a rápida reprodução de supermachos usando protocolos da indústria aquícola, que utiliza machos YY para aumentar a produção de peixes há muito tempo.

Mesmo com a facilidade que a espécie apresenta, os pesquisadores levaram 5 anos para estabelecer um plantel reprodutor de supermachos usando o processo.

Esse processo envolve administrar estradiol, um hormônio reprodutivo, a trutas machos para que se tornem anatomicamente fêmeas e consigam combinar o cromossomo Y de seus óvulos com o cromossomo Y de um espermatozoide.

Eram realizadas rodadas adicionais de reprodução e seleção para obter números altos de machos YY e soltá-los em riachos.

Em 2016, Schill e Kevin Meyer, também do IDFG, começaram a testar os supermachos nos riachos Bear e Willow, no centro de Idaho. A equipe usou pesca elétrica para remover pelo menos metade da população estimada de trutas selvagens para obter vantagem númerico nos novos rios.

Os supermachos tinham uma nadadeira cortada para que os operadores da pesca elétrica soubessem que deveriam poupar esses animais. Em pouco tempo, eles superaram os machos selvagens em número.

Depois de um período de 5 a 6 anos do início do experimento, foram realizados testes genéticos que revelaram que as trutas-das-fontes restantes eram, provavelmente, 100% machos.

Futuro dos supermachos

Atualmente, nove estados dos Estados Unidos financiam o programa de reprodução de machos troianos na Western Association of Fish and Wildlife Agencies, com testes práticos em andamento em oito deles.

No Novo México, a proporção de peixes machos já atingiu até 90% em riachos de teste, permitindo a recuperação das populações de trutas-degola nativas.

Além disso, a técnica está sendo adaptada para outros 10 organismos invasores. Entre eles estão a truta-marisca (com supermachos previstos para 2029), a rã-touro, o red shiner e, em especial, a carpa-comum.

A carpa-comum é uma espécie problemática em todo o mundo, e sua alta fertilidade significa que a erradicação exige um número enorme de supermachos.

Carpas YY já foram produzidas com sucesso e segundo Charlotte Musser, veterinária da USU (University of the Health Sciences) em Maryland, estima-se que tenham um plantel reprodutor até o final do próximo ano.

Apesar de eficaz, o método dos supermachos pode não funcionar com espécies que trocam de sexo conforme o ambiente/densidade ou em corpos d’água muito grandes, que exigiriam um volume inviável de peixes de cativeiro.

*Sob supervisão de AR.

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