Se você pudesse escolher um lugar no mundo para morar, onde seria? Alguns pontos turísticos podem ser opções óbvias, mas um destino se destaca como o local mais agradável para se viver. A cidade de Copenhague, capital da Dinamarca, ocupa o primeiro lugar no ranking das regiões mais habitáveis do mundo, alcançando 98 em sua pontuação – a nota máxima é de 100 pontos. É a segunda vez consecutiva que recebe essa conquista.
Os dados são do Índice Global de Habitabilidade, realizado pela Economist Intelligence Unit (EIU). No ranking anual, organizado pelo centro de pesquisa do The Economist Group, a cidade recebeu nota máxima nos tópicos de Estabilidade, Educação e Infraestrutura, além de grandes avalições em Saúde (96 pontos), Cultura (95) e Meio Ambiente (95).
Os portos, bicicletas e fachadas coloridas são o chamariz visual, mas a rotina com serviços estáveis e infraestrutura planejada explicam os altos índices de qualidade de vida na cidade. Copenhague possui cerca de 30 museus, com destaque para o Museu Nacional, que conta a história dinamarquesa e recebe exposições de culturas distantes.
Mais bicicletas do que pessoas
Sim, é difícil de acreditar. Enquanto registra 670 mil habitantes na área central, Copenhague estima que existem cerca de 745 mil bicicletas ativas. A administração da cidade registra cerca de 400 quilômetros de ciclovias e mais de 25 pontes disponíveis para o tráfego diário.
Moradores e frequentadores da região percorrem mais de 2,7 milhões de quilômetros diariamente utilizando suas bicicletas. Tudo isso ajuda a explicar porque a cidade é considerada a capital mundial da bicicleta há mais de um século.
O hábito reduz o congestionamento no transporte, além de reduzir o ruído nas principais vias. Adepta de estratégicas climáticas até 2035, o costume também atua na redução de emissões de gases, consumo de matéria-prima e qualidade de vida.
- Quantidade de bicicletas: 745 mil bicicletas
- População da cidade: 670 mil habitantes
- Carros: o número de bicicletas é cinco vezes maior do que os de carros circulando
- Rotina diária: cerca de 62% da população utiliza bicicleta como meio de transporte para o trabalho ou escola
- Ciclovias: são mais de 400 km de ciclovias pela cidade
“Nós não tínhamos esse estilo de vida em espaços urbanos. Essa trecho (ciclovia) costumava ter duas vias de trânsito em mão dupla. Fizemos sugestões de ruas assimétricas onde pedestres e ciclistas recebessem prioridade e espaço no lado ensolarado da rua”, comenta Helle Søholt, Gehl, consultoria de design urbano de Copenhague.

Revitalização do porto
Antes poluído, o porto de Copenhague é considerado o coração da cidade. Totalmente apto para receber banhistas, a área se destaca em comparação com outros grandes centros urbanos do mundo.
“Nos anos 70, a cidade era muito diferente. Não era possível nadar no porto, era bastante poluído”, complementa Helle Søholt. Já para Laura Amira Kassem, moradora da cidade há oito anos, a simplicidade é o que define o prazer diário.
“Você pode ir de bicicleta para o trabalho, dar um mergulho no porto depois e voltar para casa para o jantar. Não é um dia especial; é apenas uma terça-feira”, relata a médica e estudante de doutorado.
Recompensas para turistas
Buscando integrar o convívio dos seus moradores com o turismo na região, o município propõe um sistema de recompensa para os visitantes temporários. Turistas que optam por adotar os costumes locais são agraciados por meio da iniciativa CopenPay.
“Nós recompensamos quem circula de bicicleta, de transporte público. E se você ajudar a retirar lixo da água, você ganha uma viagem grátis de barco”, afirma Jonas Løvschall-Wedel, porta-voz da organização oficial de turismo da cidade.
As melhores cidades
O Índice Global de Habitabilidade avaliou 173 cidades com base em 30 critérios. Confira abaixo a lista com as dez melhores cidades para morar, de acordo com o levantamento:
- Copenhague, na Dinamarca – 98 pontos
- Viena, na Áustria – 97,1 pontos
- Melbourne, na Austrália – 97 pontos
- Sydney, na Austrália – 96,6 pontos
- Zurique, na Suíça – 96,4 pontos
- Genebra, na Suíça – 96,1 pontos
- Osaka, no Japão – 96 pontos
- Adelaide, na Austrália – 95,9 pontos
- Vancouver, no Canadá – 95,8 pontos
- Tóquio, no Japão – 95,7 pontos
Por outro lado, a pesquisa indica que Damasco, na Síria, segue na última posição do ranking, enquanto Teerã, no Irã, entrou pela primeira vez entre as dez piores cidades para se viver no mundo.

