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Leituras e estratégias para uma boa redação no Enem, segundo especialista

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Leituras e estratégias para uma boa redação no Enem, segundo especialista

Na reta final do Enem, uma pergunta ainda costuma assombrar quem está estudando: quantos livros dá tempo de ler? A dúvida parece importante, mas talvez esteja apontando para o lado errado. O problema pode não ser a quantidade de páginas, mas sim o que se consegue extrair delas.

Ademar Celedônio, diretor de ensino e inovação da Arco Educação, considera o erro mais comum nessa fase tratar a leitura como uma coleção de frases para citar na redação. Para ele, o verdadeiro objetivo deveria ser ampliar a compreensão do Brasil e aprender a relacionar diferentes ideias.

Entrevistado pela CNN Brasil, o especialista em preparação para vestibulares afirma: “É isso que transforma uma obra em repertório realmente produtivo”. Mas, a essa altura dos estudos, alerta, não vale a pena tratar leitura como mais uma cobrança de última hora.

Essa história de dizer que o estudante precisa “ler mais” pode acabar gerando culpa e ansiedade, principalmente quando esse hábito — que deveria ter sido estimulado progressivamente desde o início do Ensino Fundamental — não foi construído ao longo da vida escolar.

A boa notícia, segundo Celedônio, é que mesmo quem não consolidou esse hábito pode começar com uma rotina realista, “por meio de reportagens, artigos de divulgação científica, crônicas e outros textos mais curtos, sempre acompanhados de uma leitura ativa”.

Que tipo de leituras realmente ajuda na reta final do Enem?

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O repertório que ajuda na hora da redação não precisa ser gigante, mas precisa ser bem escolhido • Jcomp/Magnific

Antes de recomendar os livros, Celedônio faz uma ressalva: nos vestibulares com lista de leituras obrigatórias, essas deverão ter prioridade. A leitura complementar entra depois, como forma de ampliar o repertório. Nessa categoria, ele recomenda cinco obras.

Os livros são “Olhos d’água” de Conceição Evaristo, sobre racismo, desigualdade e a experiência das mulheres negras; “Quarto de despejo” de Carolina Maria de Jesus, diário sobre fome e exclusão na favela do Canindé; “Vidas secas” de Graciliano Ramos, sobre migração e seca no sertão; “A ralé brasileira” de Jessé Souza, sobre desigualdade estrutural; e “Ideias para adiar o fim do mundo” de Ailton Krenak, sobre a relação entre ser humano e natureza.

Além dessas sugestões, ele recomenda acompanhar sites e perfis de instituições como Embrapa, Pesquisa FAPESP, Jornal da USP e Jornal da Unicamp — fontes de divulgação científica que já apareceram como texto-base em provas: a Fuvest 2025, por exemplo, usou uma reportagem do Jornal da USP.

Conteúdos da Pesquisa FAPESP também já caíram no Enem e na Unicamp, e materiais da Embrapa apareceram em vestibulares. Celedônio alerta que “acompanhar atualidades não significa apenas saber o que aconteceu”; é preciso compreender as causas, as consequências e as diferentes dimensões de cada acontecimento.

Entre os temas que valem a pena seguir, ele cita mudanças climáticas e COP30, inteligência artificial e seus efeitos na educação e no trabalho, desinformação e funcionamento dos algoritmos, envelhecimento populacional, saúde pública e vacinação, desigualdades sociais e questões de democracia, direitos humanos e migrações.

Como encaixar a leitura na rotina de estudos?

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20 a 30 minutos por dia, com regularidade, são suficientes para transformar leitura em repertório • Drozen Zigic/Magnific

Se a essa altura a sensação for a de que não cabe mais nada na rotina, a ideia de abrir um espaço para “mais leitura” pode parecer quase uma provocação. Mas Celedônio faz uma proposta bem simples: reservar diariamente de 20 a 30 minutos para uma leitura concentrada.

Nesse tempo, diz, dá para alternar entre as obras obrigatórias, reportagens de atualidades e textos de opinião de fontes confiáveis. O segredo é a regularidade. Em vez de tentar ler muitas páginas em um único dia e depois abandonar o hábito, basta pouco tempo, porém todos os dias.

E não precisa transformar cada leitura em uma nova tarefa. Ao terminar, anote apenas três coisas: qual foi a ideia central, que dado ou argumento merece destaque e com quais outros temas aquele conteúdo se relaciona. Só isso. Resumos podem acabar consumindo mais tempo do que a própria leitura.

Aos poucos, esse exercício ajuda a perceber como os assuntos se conectam. Uma reportagem sobre mudanças climáticas, por exemplo, pode contribuir para geografia, biologia, química e redação. Por fim, é importante resolver questões e realizar simulados para testar se dá para aplicar esse repertório na prova.

*Com apuração de Maria Paula Giacomelli, em colaboração para a CNN Brasil

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