A ocorrência de recentes tufões na China, somada ao acúmulo de navios nos principais portos do continente asiático, acendeu um alerta para a cadeia automotiva no Brasil. A Associação Brasileira dos Importadores e Distribuidores de Pneus (ABIDIP) informou nesta quinta-feira (27) que o cenário de paralisações operacionais e custos logísticos em disparada ameaça a regularidade do abastecimento de pneus no mercado brasileiro nos próximos meses.
A crise logística, intensificada pelas condições climáticas extremas na Ásia, causou um salto nos valores do frete marítimo internacional. O custo para transportar um contêiner de 40 pés da China para o Brasil, que no início do período orbitava em torno de US$ 3 mil, já ultrapassou a marca de US$ 8 mil. Para os embarques programados para a primeira semana de setembro, as cotações chegam a US$ 9.500, dependendo do armador e da disponibilidade de espaço.
Paralisação dos postos e gargalo operacional
Como medida de segurança contra as tempestades, terminais marítimos de grande relevância global, como os de Xangai e Ningbo, precisaram suspender temporariamente suas atividades. A paralisação gerou gargalos operacionais expressivos:
- Navios aguardando liberação: mais de 800 embarcações chegaram a ficar fundeadas esperando condições climáticas favoráveis;
- Volume de carga afetado: cerca de 2,4 milhões de TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) sofreram impactos diretos;
- Congestionamento acumulado: o volume retido nos portos chineses já se aproxima de 400 mil TEUs.
Com a previsão de novos tufões com potencial para atingir também a região portuária de Shenzhen, os armadores enfrentam dificuldades para reordenar escalas e posicionar equipamentos nas rotas comerciais.
Impacto no mercado de reposição brasileiro
A interrupção nas rotas do Oriente atinge diretamente o mercado brasileiro de reposição, fundamental para a manutenção de veículos de passeio, transporte de carga e frota operacional.
Segundo o presidente da ABIDIP, Ricardo Alípio, a preocupação do setor migrou da alta dos preços para a disponibilidade física de espaço nos navios. De acordo com o executivo, a combinação de fretes próximos a US$ 10 mil com o cancelamento de escalas cria um risco concreto para a entrega regular de produtos a revendedores, frotistas, transportadores e motoristas de aplicativo no Brasil.
A expectativa das empresas importadoras é de que o mês de setembro apresente restrições ainda mais severas nas rotas com origem na Ásia. A normalização das entregas dependerá da velocidade de retomada das operações portuárias chinesas e da capacidade das transportadoras marítimas de reorganizar a frota nas próximas semanas.

