O comentarista da CNN José Eduardo Cardozo e a ex-senadora e jornalista Ana Amélia Lemos debateram, na terça-feira (25), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), sobre “o que muda a eleição: Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com o fim da escala 6×1 ou Flávio Bolsonaro (PL) no Nordeste”.
Os dois movimentos se destacaram na corrida presidencial: a ida de Flávio Bolsonaro (PL) a Alagoas em busca de aproximação com o eleitorado nordestino e a agenda institucional de Lula em meio ao desgaste provocado pelas investigações envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Lula retoma a bandeira do 6×1
Segundo José Eduardo Cardozo, Lula aposta em uma pauta de grande apelo popular ao retomar a discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1. “Lula pega uma bandeira que é popular, que foi articulada e definida pelo seu governo, que é exatamente a questão da escala de trabalho seis por um, que tem resistências da parte de setores empresariais, mas é muito bem vista pela sociedade”, afirmou.
Para ele, a iniciativa não teria sido relançada caso não houvesse perspectiva real de aprovação em tempo hábil, destacando que a relação antes tensa entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), parece ter sido normalizada.
Ana Amélia Lemos concordou que o tema tem forte apelo eleitoral, mas ponderou sobre os riscos econômicos da medida. Ela relatou que setores empresariais estão alarmados com a possível escassez de mão de obra caso a jornada seja aprovada — citando, como exemplo, a área de frigoríficos, que já enfrenta uma carência de 30 mil trabalhadores e poderia chegar a 50 mil com a mudança.
“Em nome da eleição, vale tudo. E aí, por incrível que pareça, nem as questões ideológicas prevalecem”, disse ela, ao observar que até parlamentares de direita votaram a favor da medida na Câmara.
Flávio Bolsonaro investe no Nordeste
A ida de Flávio Bolsonaro a Alagoas foi interpretada pelos debatedores como uma tentativa de reduzir a desvantagem histórica do campo bolsonarista na região. “O Nordeste tem um forte enraizamento da simpatia pelo presidente Lula por força de tudo aquilo que foi feito ao longo dos seus mandatos”, avaliou Cardozo.
Ana Amélia, por sua vez, demonstrou ceticismo quanto aos resultados dessa estratégia, questionando se o apelo de uma eventual ferrovia no Nordeste seria suficiente para reverter o favoritismo de Lula na região.

