Nos últimos anos, acompanhamos uma transformação importante na forma como as pessoas se relacionam com os procedimentos estéticos faciais. A popularização da harmonização facial colocou preenchimentos, bioestimuladores e outras técnicas não cirúrgicas no centro dessa discussão. Agora, observo um movimento crescente em direção às cirurgias plásticas da face, principalmente entre pacientes que procuram resultados mais duradouros.
Essa mudança traz uma questão que considero fundamental: como escolher o profissional que realizará uma cirurgia em uma região tão delicada e visível quanto a face?
A cirurgia estética facial está entre as áreas mais desafiadoras da cirurgia plástica. A face concentra estruturas anatômicas complexas, e pequenas alterações podem produzir impactos significativos tanto do ponto de vista estético quanto funcional. Por isso, indicação precisa, planejamento, conhecimento anatômico e experiência cirúrgica são fundamentais.
O Brasil possui uma longa tradição na cirurgia plástica e ajudou a formar referências reconhecidas internacionalmente, como Ivo Pitanguy. Esse legado, na minha avaliação, precisa ser preservado por meio da valorização da formação médica estruturada, do treinamento cirúrgico e da especialização.
Em um momento no qual as redes sociais passaram a exercer grande influência sobre as decisões relacionadas à estética, considero especialmente importante separar popularidade de qualificação profissional.
Número de seguidores, alcance digital ou exposição nas redes não substituem formação, experiência e domínio técnico. Da mesma forma, o preço não deveria ser o principal critério para uma decisão que envolve um procedimento cirúrgico.
Antes de uma cirurgia facial, o paciente deve procurar saber qual é a formação do médico, se possui especialização e registro de qualificação compatíveis com o procedimento, há quanto tempo atua na área e qual é sua experiência específica naquela cirurgia. Também é importante conhecer a estrutura onde o procedimento será realizado e conversar abertamente sobre riscos, benefícios, limitações e expectativas.
Outro ponto que merece atenção é que nenhuma cirurgia está completamente livre de riscos. Complicações e intercorrências podem ocorrer mesmo quando o procedimento é realizado por profissionais experientes. A diferença está também na capacidade de prevenir, identificar precocemente e conduzir adequadamente essas situações.
Por isso, considero que a segurança de uma cirurgia começa muito antes do centro cirúrgico. Começa na consulta, na avaliação individualizada e, principalmente, na indicação correta.
Nem todo paciente que procura uma mudança estética precisa necessariamente de uma cirurgia. Em alguns casos, procedimentos menos invasivos podem ser suficientes; em outros, a cirurgia pode oferecer uma resposta mais adequada. Essa decisão deve ser individualizada e construída a partir de uma avaliação médica criteriosa.
Depois de um período marcado pela forte expansão dos procedimentos de harmonização facial, o interesse crescente pelas cirurgias da face representa também uma oportunidade para reforçarmos a importância da informação.
Quando se trata do rosto, não existe espaço para decisões baseadas apenas em tendências. Pesquisar a formação do profissional, compreender o procedimento e estabelecer expectativas realistas são etapas tão importantes quanto a própria cirurgia.
*Texto escrito por Dr. Laertes Thomaz Júnior (CRM-SP 137700 | RQE 36792), Cirurgião plástico especialista em cirurgia da face e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica

