Lucas Pinheiro Braathen teve alguns meses para assimilar o ouro olímpico conquistado em Milano-Cortina e já estabeleceu novos objetivos na carreira. Campeão olímpico pelo Brasil, o esquiador quer ampliar a coleção de conquistas na próxima temporada, com duas metas principais: conquistar uma medalha no Campeonato Mundial e assumir a liderança geral da Copa do Mundo.
Em entrevista coletiva nesta quarta-feira (26), Lucas falou sobre o momento que vive após alcançar um dos maiores feitos do esporte brasileiro. Para ele, a decisão de representar o país foi determinante para recuperar a liberdade de competir e evoluir de acordo com suas próprias características.
“Eu tô super feliz, super contente. Olhar para trás para esse momento, onde a gente se encontrou a última vez, falando sobre esses sonhos que eu tive e as decisões, me deixa emocionado”, afirmou.
Segundo Lucas, a mudança para o Brasil permitiu que ele desbravasse novos caminhos dentro e fora das pistas. “A curiosidade sempre foi o meu próprio motor. O que me deixa feliz é explorar e seguir a minha curiosidade em busca de crescimento, de melhorar todos os dias. É tudo que eu quero fazer”, disse.
A relação com o país também ganhou um novo significado depois do ouro. Lucas revelou que tem sido abordado por brasileiros nas ruas, inclusive por pessoas que não acompanham o esqui alpino.
“A coisa que me deixa mais emocionado é todas as pessoas que nem entendem muito sobre a minha modalidade, o esporte, que chegam em mim e dão um abraço na rua do nada e falam como agradecem o jeito que eu represento o Brasil fora do Brasil“, contou.
Mundial é principal objetivo da temporada
A temporada internacional começa no fim de outubro, na Áustria, com a Copa do Mundo. O circuito seguirá até fevereiro, quando haverá uma pausa para o Campeonato Mundial, em Crans-Montana, na Suíça. Para Lucas, a competição representa a principal oportunidade de ampliar seu legado com a camisa brasileira.
“O grande momento é o Campeonato Mundial em fevereiro, onde eu quero trazer mais uma medalha pelo Brasil”, afirmou. “Uma medalha no Campeonato Mundial é um dos meus maiores objetivos. É a próxima oportunidade para eu escrever mais história no esporte de inverno pelo Brasil.”
Depois do Mundial, a Copa do Mundo será retomada até o fim de março, quando a temporada será encerrada com a etapa final em Idaho, nos Estados Unidos. Além da busca por uma medalha na Suíça, Lucas colocou outro desafio no topo da lista: conquistar o título geral do circuito.
O brasileiro já foi campeão da Copa do Mundo em duas disciplinas individuais, mas ainda não terminou uma temporada na primeira colocação da classificação geral. Na última edição, ficou com o segundo lugar.
“Eu consegui levar a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos para casa. Já fui campeão da Copa do Mundo em duas disciplinas. Agora falta o Campeonato Mundial e virar o campeão da Copa do Mundo geral”, explicou.
Disputa com Odermatt e terceira disciplina
A briga pela liderança geral terá um obstáculo conhecido. O suíço Marco Odermatt domina a classificação geral da Copa do Mundo há cinco temporadas e aparece como principal referência da modalidade.
Para aumentar suas possibilidades de pontuação, Lucas Pinheiro pretende ampliar sua participação em provas. Especialista em Slalom e Slalom Gigante, o brasileiro prepara a entrada mais frequente no Super-G.
“Para entrar nessa disputa direta com ele, eu preciso começar a somar pontos em uma terceira disciplina”, explicou.
Na modalidade, a competição é decidida em uma única descida cronometrada contra o relógio, e vence quem fizer o menor tempo.
A preparação inclui períodos de treinamento na América do Sul. Lucas passou parte da pré-temporada no Rio de Janeiro, utilizando a estrutura do Comitê Olímpico do Brasil, e depois seguiu para regiões com neve. Em Ushuaia, na Argentina, encontrou condições consideradas importantes para a preparação antes do retorno ao circuito internacional.
“Essa variação de terrenos e climas na pré-temporada é a nossa estratégia de preparação”, explicou o esquiador. O planejamento também inclui treinamentos no Chile, onde as pistas ficam em altitudes superiores a 3 mil metros e oferecem condições diferentes das encontradas na Argentina.
Brasil como parte da missão
Mesmo após conquistar o ouro olímpico, Lucas evita colocar como prioridade imediata os Jogos de 2030, na França. O atleta prefere concentrar sua atenção na evolução diária e nos desafios da temporada que está prestes a começar.
“Uma das coisas mais importantes é estruturar o longo prazo, mas manter o foco 100% no presente. Eu não fico focado diretamente nos Jogos Olímpicos agora. Eu foco no atleta que sou hoje e no que quero me tornar amanhã”, afirmou.
A representação do Brasil, no entanto, segue no centro da trajetória. Lucas entende que sua presença no esporte de inverno pode servir de inspiração para pessoas que também se sentem diferentes ou fora dos padrões.
“Eu sempre quis representar as crianças que se sentiam um pouco fora da caixa, um pouco fora da curva”, declarou. “Na temporada passada, eu fiz nevar aqui no Brasil. Agora é a hora de levar o Brasil para o mundo e representar a nossa diversidade.”
Com o Mundial no calendário durante o período do Carnaval do ano que vem, Lucas também espera repetir a conexão criada com o público brasileiro durante os Jogos Olímpicos.
“Eu acho que isso deixou esse momento mais especial ainda. E olha como o universo está continuando a servir essa missão que eu tenho. Botou o Campeonato Mundial durante o mês do Carnaval de novo. Então, eu espero que isso vire uma balada gigantesca de novo”, concluiu.
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