O lobby pelo retorno de clubes da América do Norte à Copa Libertadores ganhou força nesta segunda-feira (24). Em coletiva de imprensa, o presidente da Liga MX, Francisco Iturbide, revelou ter feito um pedido formal à Concacaf e à Fifa.
O dirigente busca garantir vagas como convidados para equipes mexicanas tanto na Libertadores quanto na Copa Sul-Americana. Apesar do esforço, a Fifa rejeitou a solicitação inicial para vetar times de fora da Conmebol na competição.
Fifa rejeita inicialmente participação de clubes de fora da Conmebol
A entidade máxima do futebol tenta barrar clubes de confederações diferentes em um mesmo torneio continental. Iturbide, porém, garantiu que manterá a insistência por ver um precedente nas competições de seleções, como a presença do próprio México na Copa América.
Fora dos torneios sul-americanos desde 2016, quando Pumas e Toluca atuaram na Libertadores, os mexicanos tentam superar os antigos problemas de calendário que causaram a ruptura.
“Acredito que a volta dos clubes mexicanos valoriza ainda mais as competições sul-americanas. A questão logística é um ponto de atenção, mas que pode ser resolvido pela Conmebol, já que os brasileiros enfrentam longos deslocamentos para jogar no interior do Equador e da Colômbia, por exemplo”, analisa Rui Costa, diretor executivo de futebol, com passagens por São Paulo, Grêmio, Atlético-MG, Chapecoense e Athletico-PR.
Liga MX aposta em precedente da Copa América
A estratégia da Liga MX passa pela experiência do México em torneios organizados pela Conmebol. A seleção mexicana, por exemplo, já participou diversas vezes da Copa América, o que é usado como argumento para defender uma possível abertura também aos clubes.
A ideia, portanto, é encontrar uma forma de conciliar o calendário e permitir que as equipes mexicanas voltem a disputar as principais competições sul-americanas.
Clubes dos EUA também entram no radar da Conmebol
Em janeiro deste ano, também aconteceu um movimento que envolveu os times dos EUA, por meio de declarações de Jorge Mas, um dos donos do Inter Miami, time do craque Messi.
Na ocasião, o empresário revelou que teve uma conversa com Alejandro Domínguez, presidente da Conmebol, sobre a possibilidade dos campeões dos Estados Unidos e do México participarem do torneio sul-americano.
Entrada de mexicanos e americanos teria forte impacto financeiro
Economicamente falando, seria rentável para a Conmebol que os times dos EUA e do México participassem do torneio. As equipes mexicanas são consideradas as mais ricas do continente e mudaram seus modelos de negócio.
Isso teve reflexo direto no poder de contratação dos times da liga, que já foi a segunda mais bem paga da América, atrás apenas do Brasil, em 2023, de acordo com a Fifa, com um salário médio anual de US$ 402.000 (R$ 2,2 milhões, na cotação atual).
“Se isso acontecer, o impacto econômico para a Libertadores pode ser muito relevante. A entrada de clubes mexicanos e americanos significa incorporar ao torneio mercados com uma capacidade financeira muito maior, aumentando o potencial de geração e distribuição de receitas. Isso pode elevar o valor econômico da competição e, consequentemente, o dinheiro que chega aos clubes,” afirma Moises Assayag, especialista em finanças no futebol e sócio diretor da Channel Associados.
Liga mexicana ganha força com investimentos e altos salários
Algo inegável é que o México sempre foi ousado financeiramente. Por lá, as equipes são privadas e contam com milhões para investimentos.
“O futebol sempre foi o esporte mais popular no México e a economia do país cresceu muito nas últimas décadas. Além disso, muito mexicanos enriqueceram nos Estados Unidos, gerando grande audiência por lá, sem contar que a maioria dos seus grandes clubes é parte de um conjunto de propriedades de grandes empresas”, explica Renato Martinez, vice-presidente da Roc Nation Sports.
Clubes da América do Norte podem atrair patrocinadores globais
Para Joaquim Lo Prete, general manager da Absolut Sport no Brasil, agência multinacional de experiências esportivas que é parceira oficial da Conmebol desde 2022, uma eventual presença de clubes da América do Norte na Libertadores representaria um salto estratégico para a competição no campo dos negócios.
“Estamos falando de acesso direto a dois mercados relevantes em termos de consumo esportivo e que contam com marcas globais e poder de investimento. A entrada de clubes desses países ampliaria a exposição internacional do torneio, atrairia patrocinadores multinacionais que hoje ainda não olham a Libertadores como prioridade e abriria novas frentes de receita em direitos comerciais, ativações, hospitalidade e turismo esportivo”, comenta.
Inter Miami e Messi podem impulsionar interesse no torneio
Já Thales Rangel Mafia, Gerente de Marketing da Multimarcas Consórcios, incluir times dos dois países na Copa Libertadores representaria uma revolução financeira não apenas às agremiações, mas também para os parceiros e marcas envolvidas.
“Com o Inter Miami, a competição ganha o ativo ‘Messi’, que pode atrair olhares e marcas de mercados onde a Conmebol ainda tem pouca penetração. O impacto poderia ser bem superior ao atual, criando um produto híbrido que une a tradição ao entretenimento de massa a nível global”, acrescenta.
Retorno à Libertadores ainda depende de acordo entre confederações
Apesar do interesse econômico e esportivo, o retorno de clubes mexicanos e americanos à Libertadores ainda enfrenta obstáculos institucionais. A participação de equipes de diferentes confederações exige um entendimento entre Fifa, Concacaf e Conmebol.
Por enquanto, a Fifa rejeitou o pedido inicial, mas a Liga MX promete continuar trabalhando pela possibilidade. Caso o projeto avance, a Libertadores poderia ganhar novos mercados, patrocinadores e uma dimensão internacional ainda maior.
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