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Tarcísio rebate acusação de interferência em investigação de “Dark Horse”

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Tarcísio rebate acusação de interferência em investigação de “Dark Horse”

O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), rebateu nesta terça-feira (25) acusações de que o governo paulista teria interferido ou segurado o avanço de uma investigação da Polícia Civil que alcançou pessoas ligadas à produção de “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Questionado sobre críticas de petistas à condução do caso e sobre a demora na análise do material apreendido, Tarcísio classificou as acusações como um desrespeito à corporação.

Primeiro, isso é um desrespeito com a Polícia de São Paulo. É uma polícia extremamente profissional, é uma polícia de Estado, não é uma polícia de governo”, afirmou.

O governador também garantiu que será cumprida a decisão do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), que autorizou a Polícia Federal a ter acesso a documentos, dados e materiais apreendidos pela Polícia Civil paulista durante a Operação Wi-Fi, deflagrada em junho.

“A Polícia Militar é uma polícia profissional, a Polícia Civil é uma polícia profissional e a gente tem que ter confiança nas instituições de Estado. […] Obviamente, se tem uma determinação judicial, a determinação vai ser cumprida”, disse Tarcísio.

A manifestação ocorreu durante um evento sobre violência doméstica em São Paulo.

Dino autoriza PF a acessar dados de operação

Decisão do ministro Flávio Dino, do STF, atende a um pedido da própria Polícia Federal e permite o compartilhamento de provas recolhidas pela Polícia Civil de São Paulo.

A PF solicitou acesso não apenas a documentos e relatórios, mas também aos dados brutos extraídos de mídias apreendidas e aos registros relacionados à cadeia de custódia desse material.

As investigações estadual e federal têm objetos distintos, mas passaram a se cruzar.

A Operação Wi-Fi foi deflagrada pela Polícia Civil em 1º de junho para investigar suspeitas de irregularidades envolvendo o ICB (Instituto Conhecer Brasil) e um contrato para a oferta de internet gratuita firmado com a Prefeitura de São Paulo.

A apuração envolve suspeitas de fraude na licitação e na execução do contrato e possível desvio de dinheiro público.

O instituto é comandado por Karina Ferreira da Gama, também ligada à Go Up Entertainment, produtora responsável por Dark Horse. Essa conexão fez com que o material recolhido em São Paulo despertasse o interesse da investigação federal.

No STF, Dino é relator de uma apuração sobre a possível destinação irregular de emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil.

Entre os recursos sob investigação estão R$ 2 milhões destinados pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP), que também assina o roteiro do filme. A representação que deu origem ao caso foi apresentada pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP). Frias nega que as emendas tenham sido usadas para financiar a produção.

Tarcísio nega demora deliberada

Durante a entrevista desta terça, Tarcísio também foi questionado sobre o fato de a operação ter ocorrido no início de junho e sobre a ausência, até agora, de conclusões públicas a respeito de eventuais irregularidades encontradas no material apreendido.

“As investigações seguem o rito estabelecido na legislação. Nós temos profissionais que estão à frente conduzindo esse caso e, à medida que as determinações judiciais vão aparecendo, elas vão sendo cumpridas também”, respondeu.

A fala ocorre em um momento politicamente sensível para o governador. Tarcísio é um dos principais aliados da família Bolsonaro e tem participado ativamente da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL).

No último sábado (22), durante a Festa do Peão de Barretos, chegou a chamar o senador de “herdeiro” do projeto político do ex-presidente.

O próprio Flávio também enfrenta questionamentos sobre o financiamento de Dark Horse. O caso ganhou dimensão política depois da revelação de que o senador pediu R$ 61 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para ajudar a financiar a produção. Flávio sustenta que se tratou de uma relação privada e nega irregularidades.

Na segunda-feira (24), após participar de uma reunião da diretoria da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Flávio voltou a ser questionado sobre a promessa de detalhar as contas do filme e afirmou: “Quem tem que prestar conta não sou eu”.

O candidato diz que as informações sobre os gastos da produção já foram apresentadas e tenta tratar o assunto como “página virada”.

A decisão de Dino, no entanto, abre agora uma nova frente de análise sobre documentos recolhidos pela polícia paulista. A Polícia Federal pretende cruzar esses elementos com a investigação sobre a origem e a destinação dos recursos relacionados às entidades ligadas à produção de Dark Horse.

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