O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, disse na segunda-feira (24) aos parceiros comerciais do Irã que cortassem os laços econômicos com o país ou enfrentariam sanções, sugerindo que as medidas tomadas anteriormente pelos Emirados Árabes Unidos “não foram uma coincidência”.
“As ações que eles (os Emirados Árabes Unidos) tomaram na semana passada não foram uma coincidência, mas provavelmente tiveram uma relação de causa e efeito; espero que vejamos uma ampla gama de países adotando providências semelhantes à medida que prosseguimos com nossa atuação”, disse Bessent a repórteres.
O secretário afirmou que o presidente Donald Trump tem telefonado para líderes mundiais com solicitações específicas relacionadas à exigência de seu governo de que esses países trabalhem com os EUA para isolar Teerã economicamente.
No entanto, ele se recusou a citar quais países mantiveram contato com Trump.
Historicamente, os Emirados Árabes Unidos têm sido um dos maiores parceiros comerciais do Irã. Contudo, o país anunciou na semana passada a suspensão de todas as transações comerciais e financeiras com o Irã “até segunda ordem”.
China, Índia, Turquia e Iraque também correm o risco de sofrer sanções dos EUA, sendo a China o maior parceiro comercial do Irã e a principal compradora de petróleo iraniano.
Ministro das Finanças do Irã classifica sanções dos EUA como “fracasso”
O ministro das Finanças do Irã, Ali Madanizadeh, descartou na segunda-feira (24) as novas medidas dos EUA, classificando-as como mais um “fracasso” e afirmando que Teerã já as havia previsto e dispõe de um plano de dois anos.
Ele disse que o governo compreende questões como “inflação”, “pressão cambial” e “escassez”, mas garantiu que o Irã não se limitaria apenas a se defender. “Sabemos como jogar esse jogo”, disse ele, acrescentando que a era unipolar chegou ao fim e que algumas grandes nações rejeitaram o plano.
Na segunda-feira, os EUA anunciaram a ampliação de sanções secundárias destinadas a “cortar todas as linhas de vida econômicas” que sustentam o Irã.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, descreveu a medida como um “Dia D econômico” e uma “ofensiva”, mas não quis citar os países-alvo nem estabelecer prazos. Os preços do petróleo recuaram após duas semanas de alta que antecederam o anúncio.
Washington tem pressionado a China — a maior compradora de petróleo iraniano —, mesmo com a recente retomada de um bloqueio portuário que já reduziu o fluxo de exportações.
“Ninguém está fora do alcance das sanções dos EUA”, afirmou Bessent. Pequim rebateu, argumentando que táticas de pressão não ajudam.
O Tesouro informou ter mapeado as redes de receita do Irã e colocado cinco setores — ativos digitais, tecnologia, ouro, aviação e transporte marítimo — sob alerta, juntamente com cerca de 60 entidades, indivíduos e embarcações.

