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Recuperação judicial da Casas Bahia afetará seguradoras e fornecedores

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Recuperação judicial da Casas Bahia afetará seguradoras e fornecedores

Seguradoras de crédito comercial e fornecedores podem sofrer perdas relevantes após o pedido de recuperação judicial da Casas ​Bahia, enquanto fontes do mercado afirmam que a reestruturação da ​varejista poderá colocar à prova o apetite pelo risco de crédito no setor de varejo brasileiro.

A Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial neste mês após divulgar um prejuízo de R$ 10 bilhões no segundo trimestre, em comparação com um prejuízo de R$ 555 milhões no mesmo período do ano anterior.

Documentos judiciais e listas de credores consultados pela The Insurer mostram que a reestruturação envolveu centenas de credores, incluindo grandes bancos, fabricantes e seguradoras, o que evidencia o amplo ⁠alcance da varejista na cadeia de suprimentos de ​bens de consumo do Brasil.

As seguradoras de crédito comercial podem enfrentar pedidos de indenização caso os ​recebíveis dos fornecedores estejam cobertos por seguro e existam apólices destinadas a compensar perdas.

Segundo fontes do setor, ⁠isso representaria mais um golpe para o mercado local, após ⁠os grandes prejuízos registrados quando a Americanas pediu recuperação judicial em 2023.

Entre as seguradoras internacionais ​de ‌crédito comercial que, segundo fontes do mercado, podem ter exposição a fornecedores da Casas Bahia estão Allianz Trade, Coface ⁠e Atradius, além de seguradoras com operação local, como AIG, Chubb, Avla e Cesce.

A dimensão dos recebíveis segurados não pôde ser determinada apenas com base na relação de credores.

As listas de credores mostram que Digio, do Grupo Bradesco, e Banco do ‌Brasil ⁠estão entre os maiores ‌credores financeiros da Casas Bahia, com créditos de aproximadamente R$2,6 bilhões e R$2,4 bilhões, respectivamente.

Em seguida, aparece a gestora de investimentos Riza, com créditos de cerca de R$804 milhões.

A fabricante Whirlpool possui exposição de R$165 milhões, assim como fornecedores ⁠de eletrônicos como Samsung, LG Electronics, Electrolux, Apple, Lenovo e ⁠Hisense, que também constam na relação de credores.

Pressão sobre seguradora de crédito

A entrada da Casas Bahia em recuperação judicial trouxe de volta as lembranças ‌do pedido de recuperação judicial da Americanas em 2023, o maior calote corporativo da história do Brasil até hoje.

A Americanas pediu recuperação judicial após revelar inconsistências contábeis superiores a R$20 bilhões, posteriormente estimadas em cerca de R$25 bilhões.

A Atradius informou, em relatório de 2025, que fornecedores da Americanas tinham aproximadamente US$740 milhões a receber e que ‌os sinistros segurados custaram às seguradoras de crédito cerca de US$370 milhões.

Fontes da indústria afirmam que a reestruturação da Casas Bahia pode desencadear uma revisão semelhante dos limites de crédito e do apetite por risco em toda ⁠a cadeia de suprimentos dos setores de varejo e bens de consumo do Brasil.

A Casas Bahia foi fundada em 1952 pelo empresário polonês-brasileiro Samuel Klein como uma varejista de bens domésticos voltada para famílias de baixa e média renda.

A gestora ​Mapa Capital assumiu o controle da Casas Bahia em 2025 por meio de uma reestruturação que converteu dívida em participação ​acionária, embora o filho do fundador e bilionário empresário Michael Klein permaneça como acionista minoritário.

Casas Bahia, Banco do Brasil, Chubb, Whirlpool, Atradius e Allianz Trade se recusaram a comentar.

Coface, AIG, Avla, Cesce, Samsung, LG Electronics, Electrolux, Lenovo, Hisense, Banco Digio e Riza não responderam aos pedidos de comentário ‌até o momento da publicação.

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