Um dos policiais militares presos suspeitos de roubo e estupro de uma adolescente na zona leste de São Paulo admitiu, em depoimento à Polícia Civil, que manteve relação sexual com a jovem, mas negou ter cometido violência sexual ou participado do roubo dos celulares das vítimas.
No interrogatório, a que a CNN Brasil teve acesso, Willian Santana Santos afirmou que a relação foi consensual e disse que acreditava que a adolescente fosse maior de idade. Segundo a versão apresentada pelo policial, ele teria visto a jovem consumindo bebida alcoólica em uma adega e, por isso, não teria imaginado que ela tivesse 17 anos.
O PM também negou ter usado uma arma contra a adolescente e afirmou que não participou do roubo. A versão apresentada no interrogatório é diferente da relatada pelas vítimas à Polícia Civil.
O depoimento foi prestado na manhã desta segunda-feira (24), no 24º Distrito Policial, na Ponte Rasa, zona leste de SP.
Segundo o interrogatório, Willian estava em uma adega na região de Vila Jacuí acompanhado do colega de farda Victor Miguel Sebastião da Silva. Os dois teriam deixado o local em um carro cinza.
Durante o trajeto, segundo a versão do policial, eles encontraram duas jovens e um rapaz, e que o grupo passou a seguir junto no veículo.
PM admite relação sexual
Willian afirmou à polícia que, em determinado momento, ele e a adolescente ficaram sozinhos dentro do carro. Segundo o PM, os dois trocaram carícias e mantiveram relação sexual.
Ele sustentou que os atos foram consensuais e negou qualquer tipo de ameaça ou violência.
O policial também afirmou que não sabia que a jovem era menor de idade. A adolescente tem 17 anos e nasceu em 10 de setembro de 2008, segundo o boletim de ocorrência.
A versão apresentada pelo PM, no entanto, contrasta com o depoimento da adolescente. Segundo o BO, ela relatou que foi mantida dentro do veículo sob ameaça de uma arma de fogo e obrigada a manter relação sexual contra a vontade.
De acordo com o relato registrado pela mãe da vítima, o homem que permaneceu com a adolescente teria apontado uma arma para ela e dito que atiraria caso ela não obedecesse às ordens.
PM nega roubo
Além de negar o estupro, Willian também negou participação no roubo dos celulares.
As três vítimas, que segundo o b.o eram dois homens e uma adolescente, relataram à Polícia Civil que aceitaram uma carona depois de conhecer os dois homens em uma adega na região da Avenida Itaquera. Durante o trajeto, um dos ocupantes teria sacado uma arma e anunciado o assalto.
Os dois homens e a jovem teriam sido obrigados a entregar os celulares. Segundo os depoimentos, os suspeitos também restringiram a liberdade das vítimas e continuaram circulando com elas antes de levá-las para uma área isolada na região do Parque Jacuí, no bairro Pantanal.
Um dos homens conseguiu esconder o próprio celular e não teve o aparelho levado. Os outros dois celulares foram roubados.
Câmeras registraram o grupo
Antes de chegar à área isolada, o grupo fez uma parada na região da Jacu-Pêssego. Câmeras de segurança registraram os cinco no estacionamento de um estabelecimento.
As imagens mostram os dois policiais e as três vítimas juntos antes de o grupo seguir novamente no veículo. Segundo a apuração da CNN, depois dessa parada o trajeto teria mudado e os suspeitos seguiram para uma região mais afastada.
Os relatos das vítimas indicam que, durante o caminho, os dois homens demonstraram interesse pela mulher, mas ela recusou as investidas. Na sequência, um deles teria sacado uma arma e anunciado o roubo.
Vítimas foram levadas para área isolada
Segundo o BO, os suspeitos conduziram as vítimas até uma região de mata próxima ao Parque Jacuí.
No local, um dos PMs teria determinado que os dois homens saíssem do veículo e que a adolescente permanecesse dentro do carro.
A jovem teria sido submetida à violência sexual enquanto os outros dois permaneciam do lado de fora. Segundo o depoimento de uma das vítimas, eles não conseguiram visualizar o que acontecia dentro do automóvel, que tinha vidros escurecidos.
Depois, as três vítimas foram abandonadas na região. Elas conseguiram deixar o local e encontraram uma equipe da Polícia Militar, a quem pediram ajuda. O boletim registra que não havia lesões físicas visíveis nas vítimas.
Veículo levou polícia até os PMs
A partir das informações fornecidas pelas vítimas, os policiais identificaram o veículo usado na ação. A polícia constatou que o carro estava relacionado a um policial militar que assumiria o serviço na manhã do dia seguinte da ocorrência.
Dois PMs foram apresentados na delegacia pelo tenente-comandante da companhia. As vítimas fizeram o reconhecimento pessoal dos dois e os apontaram como participantes dos crimes.
Um deles foi indicado como coautor do roubo. O outro foi apontado como autor do roubo e também como responsável pela violência sexual contra a adolescente.
Diante dos elementos apresentados, os dois policiais foram presos. O ato foi acompanhado por um oficial da Corregedoria da Polícia Militar.
O caso foi registrado como estupro, com concurso de dois ou mais agentes, e roubo com emprego de arma de fogo, restrição da liberdade das vítimas, subtração de aparelhos celulares e concurso de duas ou mais pessoas.
Investigação
Segundo a Polícia Militar, os dois agentes foram apresentados imediatamente à Polícia Civil e presos em flagrante na manhã desta segunda-feira (24). A corporação afirmou que não tolera desvios de conduta e que o caso é apurado com rigor também por meio de um Inquérito Policial Militar (IPM).
A investigação criminal continua sob responsabilidade da Polícia Civil.

