O Ministério Público de Goiás afirma que recebeu o pedido de medida protetiva de Emiliane Tamara Nunes Carvalho, de 24 anos, contra o ex-companheiro, mas que diante da “incerteza da autoria e ausência de elementos concretos” o pedido foi negado.
Segundo o órgão, em relato à CNN Brasil, houve uma manifestação do pedido ainda neste ano sobre fatos ocorridos entre dezembro de 2025 e março de 2026. A medida protetiva foi encaminhada ao Poder Judiciário pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) da comarca, referente à vítima.
Os fatos relatados pela vítima referente ao suspeito Ailton Rodrigues Mendes se estendiam desde danos à câmera de segurança, lançamento de “bombinhas” nas proximidades da sua residência e afrouxamento dos parafusos de seu veículo.
No entanto, tanto no registro policial quanto em manifestação em juízo, Emiliane afirmou não ter certeza da autoria desses episódios, indicando uma suspeita em relação ao envolvimento do ex-marido.
“Diante da incerteza dessa autoria e de ausência de elementos concretos que indicassem a vinculação do ex-marido suspeito, o Ministério Público manifestou-se de forma fundamentada pelo indeferimento da medida protetiva naquele momento, sem prejuízo de novo requerimento caso sobrevenham elementos concretos que evidenciem situação de violência doméstica ou risco atual à requerente”, apontou o MP.
A decisão de não conceder o pedido foi em união com a Justiça, que também indeferiu as medidas protetivas por ausência de elementos objetivos que demonstrassem a atualidade do risco e a vinculação do requerido aos fatos narrados, ressalvando a possibilidade de novo pedido caso sobrevenham fatos novos e concretos.
O MP ressaltou que Emiliane foi intimada para informar sobre a existência de fatos mais recentes.
Relembre o caso
Um homem foi preso, neste sábado (22), por sequestrar, estuprar e manter a ex-companheira em cárcere privado em Águas Lindas de Goiás. Policiais militares da Companhia de Policiamento Especializado (CPE) encontraram a vítima acorrentada, amordaçada e com uma máscara no rosto.
A mulher estava desaparecida desde a última segunda-feira (17), quando foi vista pela última vez saindo de uma clínica, por volta das 13h.
Segundo a Polícia Militar, foi constatado um histórico de violência doméstica envolvendo o ex-companheiro da vítima. Desde o desaparecimento dela, o homem também não havia sido mais visto. Ele teria fechado o estabelecimento comercial, abandonado a residência e deixado para trás os veículos.
Além disso, os policiais constataram que o suspeito havia comprado um novo veículo, que teria sido utilizado na prática criminosa. Ao ser localizado, ele desobedeceu à ordem de parada e iniciou uma fuga.
Apesar da resistência, o homem foi contido e preso. Aos policiais, ele admitiu ter dopado a vítima com medicamentos antidepressivos e a levado para o cativeiro.
No momento do resgate, a equipe policial encontrou a vítima acorrentada pelas mãos e pelos pés, dentro de um cômodo vedado. Ela apresentava estado de saúde preservado e foi encaminhada ao Hospital Municipal de Águas Lindas de Goiás, onde permaneceu sob acompanhamento médico.
A CNN Brasil teve acesso às imagens do resgate, mas optou por não divulgar.
A Polícia Civil de Goiás segue com as investigações para avaliar se existem outros envolvidos no caso de Emiliane Tamara Nunes Carvalho, de 24 anos, que foi amordaçada e acorrentada pelo ex-marido, em Águas Lindas. A jovem foi mantida em cativeiro durante cinco dias.
A delegada responsável pelo caso, Tamires Ávila Teixeira, apontou que seguem as investigações Delegacia de Polícia da Mulher para apurar se existem outros envolvidos além de Ailton Rodrigues Mendes, se existem outros crimes praticados e aprofundar as investigações para encaminhar ao Poder Judiciário.
A delegada relata à CNN Brasil que investiga a possibilidade do uso de soda cáustica e explica que a unidade já sabia de outra situação envolvendo a vítima e o investigado Ailton. “Ela narrava que abria o chuveiro para tomar banho e sentia a pele queimar, acreditando que ele havia alguma substância na caixa d’água da casa”, diz a responsável pelo caso.
Em 2026, ela foi até a delegacia para solicitar medidas protetivas. A jovem narrava algumas situações de uma possível perseguição que ela acreditava que teriam sido cometidas por ele.
Dentre as principais situações, ela narrava que abria o chuveiro para tomar banho e sentia a pele queimar. Ela acreditava que ele teria colocado alguma substância na caixa d’água.
Nas redes sociais, Emiliane explica que teve um relacionamento de seis anos com Ailton, e tem dois filhos com o investigado. A jovem conta que desde dezembro de 2025 ela estava tentando separar dele, mas o investigado não aceitava o fim do relacionamento.
Desaparecimento de Emiliane e as buscas
Emiliane Tamara Nunes Carvalho, de 24 anos, conta que no dia em que desapareceu tinha comparecido à loja dos dois para conversar sobre a guarda dos filhos.
“Foi onde ele me dopou, chegou a tampar o meu nariz com produto químico”, explica a jovem.
Quanto ao desaparecimento, a delegada Tamires Ávila Teixeira ressalta que desde o primeiro momento, a Delegacia da Mulher conseguiu levantar diversas informações que corroboraram para chegar até a captura do investigado e o resgate da Emiliane.
“É importante ressaltar que, neste caso, fica nítido como o investigado é extremamente psicopata, manipulador, então ele agia dessa maneira, de forma muito meticulosa, de forma muito perspicaz, para dar a entender realmente que não havia como vincular essas condutas a ele”, diz a delegada à CNN Brasil.
A autoridade ainda completou que naquele momento a medida protetiva não foi concedida, mas que a jovem consegui ser resgatada.
“E esse tipo de perfil, esse tipo de criminoso, consegue agir dessa maneira, fazendo as coisas sem deixar vestígios, sem deixar rastros, tanto que, naquele momento, a Emeliane não conseguiu a medida protetiva, mas agora ela foi resgatada com vida, graças ao trabalho tanto da Polícia Civil, posteriormente da Polícia Militar”, ressaltou.
O resgate aconteceu na última sexta-feira (21).
A CNN Brasil tenta contato com a defesa do investigado. O espaço segue aberto.
*Sob supervisão de Thiago Félix

