O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos iniciou uma nova campanha para apertar as sanções contra o Irã com cinco alvos: aviação, ativos digitais como criptomoedas, ouro, transporte marítimo e tecnologia.
O objetivo: “restringir as receitas que o regime iraniano usa para atacar seus vizinhos, apoiar o terrorismo no exterior, oprimir brutalmente seu próprio povo e manter a economia global como refém”.
Embora as medidas tenham como alvo o regime, os iranianos comuns inevitavelmente serão afetados. As medidas foram elaboradas para limitar a capacidade do regime de gerar receitas e moeda estrangeira.
O menor acesso a moeda estrangeira colocará ainda mais pressão sobre a moeda iraniana — o rial — e levará a custos mais altos de importação e a uma inflação ainda maior.
Canais de criptomoedas ajudaram o Irã a ganhar dinheiro com exportações de petróleo. Um dos indivíduos sancionados na segunda-feira, o ucraniano Ivan Obukhov, que vive nos Emirados Árabes Unidos, “processou mais de US$ 100 milhões em pagamentos em criptomoedas para facilitar vendas de petróleo” para o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) desde 2023, segundo o governo dos EUA.
Mas os iranianos comuns também recorrem às criptomoedas como uma forma de escapar de um sistema em colapso. O ecossistema de criptomoedas do Irã movimentou US$ 7,78 bilhões em 2025, segundo a plataforma de dados de blockchain Chainanalysis.
A campanha dos EUA não coloca automaticamente todas as empresas iranianas de criptomoedas em uma lista negra.
O Tesouro afirmou na segunda-feira que, “à medida que o setor financeiro formal do Irã entra em colapso, o regime tenta cada vez mais estabilizar o rial com ouro para se proteger contra a inflação desenfreada”.
A retirada do acesso provavelmente reduziria ainda mais o poder de compra dos iranianos comuns.
Outra medida que afetará os iranianos comuns: o Tesouro suspendeu várias licenças que autorizavam determinados pagamentos de remessas para o Irã. Isso torna mais difícil para a enorme diáspora iraniana enviar dinheiro para parentes, obrigando-os a recorrer a intermediários em terceiros países e a criptomoedas ou stablecoins.
EUA não divulgam prazo para que países rompam laços econômicos com Irã
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, evitou estabelecer prazos específicos para que os países rompam laços econômicos com o Irã, sob pena de sofrerem sanções financeiras dos EUA.”Não vou definir prazos, mas não temos paciência infinita aqui”, disse ele a jornalistas em uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira (24).
Bessent afirmou que o presidente Donald Trump tem entrado em contato com líderes mundiais para fazer solicitações específicas relacionadas à exigência de seu governo de que esses países colaborem com os EUA para isolar Teerã economicamente. No entanto, ele se recusou a citar quais países mantiveram comunicação com Trump.
“Já vimos alguns resultados”, afirmou Bessent, acrescentando que os Departamentos do Tesouro e de Estado dos EUA darão continuidade ao processo com suas próprias visitas e telefonemas. Os departamentos informarão a cada país “exatamente o que esperamos e quais são os prazos”.
“Imagino que, muito rapidamente, caso não respondam, vocês verão as consequências de suas ações”, disse o secretário.

