O bitcoin ultrapassou os US$ 80 mil nesta terça-feira (25) e atingiu a maior cotação em mais de três meses, impulsionado pela desvalorização do dólar após ações do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, para acalmar o mercado de títulos.
Na semana passada, o presidente dos EUA, Donald Trump, pediu ao Congresso do país para aprovar um projeto de lei com definições mais claras para o crescente setor de criptomoedas. Desde então, o bitcoin, a maior criptomoeda do mundo, subiu 16%.
Mais cedo nesta terça-feira, o bitcoin chegou a US$81.237,94, o nível mais alto desde meados de maio.
O bitcoin registra alta de 28% até o momento em agosto, caminhando para o maior ganho mensal desde novembro de 2024. Às 11h36 (horário de Brasília), o bitcoin tinha alta de 0,45%, cotado a R$79.277,70.
As criptomoedas também receberam um grande impulso depois que o Tesouro dos EUA revelou, na semana passada, planos de recomprar mais títulos de longo prazo para ajudar a conter os ganhos nos rendimentos de longo prazo, uma medida que fez com que o dólar americano arcasse com o peso da apreensão dos investidores.
Tim Sun, pesquisador sênior do HashKey Group, disse que as declarações de Bessent reforçaram a percepção do mercado de que, pelo menos até as eleições de meio de mandato do Congresso, os formuladores de políticas dos EUA podem ter menor tolerância a um novo aumento nos rendimentos de longo prazo.
“Isso criaria um cenário macroeconômico relativamente favorável para ativos como o bitcoin e o ouro”, disse Sun.
O ouro tem sido o outro beneficiário da fraqueza do dólar, subindo para a maior cotação em três meses.
O anúncio do Tesouro dos EUA é “exatamente o tipo de coisa que o bitcoin adora”, disse Geoff Kendrick, diretor global de pesquisa de ativos digitais do Standard Chartered, em uma nota na semana passada, acrescentando que o bitcoin foi criado para oferecer aos investidores uma maneira de evitar esse tipo de intervenção.
A medida alimentou especulações sobre a chamada “operação de desvalorização”, em que as ações para impedir que os rendimentos de longo prazo atinjam níveis de equilíbrio de mercado por meio de recompras levam a uma transferência da pressão do mercado de títulos para o mercado cambial.
“Isso (o anúncio do Tesouro) levou os compradores a se lançarem sobre ativos físicos e digitais, à medida que os temores em torno da ‘operação de desvalorização’ ressurgiram”, disse Tony Sycamore, analista de mercado da IG.
“Uma quebra sustentada acima desse nível abrirá caminho para um movimento em direção a US$95.000–US$100.000.”

