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Gianni Infantino desafia Concacaf e rebate críticos em meio à crise na Fifa

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Gianni Infantino desafia Concacaf e rebate críticos em meio à crise na Fifa

Os esforços do presidente da Fifa, Gianni Infantino, para permanecer no poder incluíram, neste fim de semana, respostas aos críticos, entre eles organizações de futebol que anunciaram publicamente ter perdido a confiança no dirigente.

Infantino também foi à República Dominicana e se reuniu com integrantes da União Caribenha de Futebol (CFU) durante um torneio internacional sub-14 — mesmo após ter sido solicitado pelo presidente da Concacaf, Victor Montagliani, também vice-presidente da Fifa, a não comparecer ao evento.

Montagliani, apontado como um possível candidato para enfrentar Infantino na eleição do próximo ano, escreveu em uma carta enviada na sexta-feira (21) que a presença do presidente seria uma distração e prejudicaria o torneio de categorias de base.

O episódio é mais um desdobramento da proposta de Infantino, duramente criticada e posteriormente abandonada, de vender participações nos direitos comerciais da Copa do Mundo a investidores privados.

Desde então, líderes do futebol e entidades inteiras passaram a pressionar Infantino a renunciar ou ser substituído. Ao mesmo tempo, o dirigente segue com sua campanha para permanecer no comando da Fifa na eleição do Congresso da entidade, marcada para março, no Marrocos.

As seis associações de futebol dos países nórdicos divulgaram, no domingo (23), um comunicado conjunto no qual afirmaram ter “perdido a confiança” em Infantino. O grupo é formado por Dinamarca, Islândia, Finlândia, Noruega, Suécia e Ilhas Faroé.

“As seis associações de futebol nórdicas perderam a confiança no presidente da Fifa e têm sérias preocupações sobre a governança e a tomada de decisões em alto nível da organização”, diz o comunicado.

“As associações de futebol nórdicas apoiam firmemente a Uefa e as medidas sugeridas em conjunto por suas associações nacionais. Esperamos que a Fifa forneça garantias vinculantes de que nunca mais abrirá sua governança ou suas competições à propriedade privada. Também apoiamos a exigência apresentada pela AFC, Concacaf e Uefa por uma análise totalmente independente dos acontecimentos relacionados à proposta da FIFA Forward Enterprise.”

Diante do cenário atual, Montagliani escreveu a Infantino em uma carta obtida por vários veículos de imprensa que, “considerando a crise de governança que envolve a Fifa como resultado de sua controversa proposta FIFA Forward Enterprise, acredito que a mídia se concentrará nessa situação, o que, infelizmente, desviará significativamente a atenção da natureza técnica da competição juvenil da CFU”.

“Por isso, respeitosamente, peço, em nome do futebol, que reconsidere sua presença, pois isso infelizmente prejudicará a natureza técnica desta importante atividade de desenvolvimento das categorias de base.”

Montagliani comanda a Concacaf, entidade responsável pelo futebol da América do Norte, América Central e Caribe.

Declaração polêmica

Infantino, porém, compareceu ao evento. Segundo a Fifa, o presidente recebeu uma recepção calorosa na sexta-feira, na República Dominicana, onde se reuniu com presidentes da CFU, uma subconfederação da Concacaf formada por 31 países do Caribe.

“É importante se envolver, manter um diálogo, expressar pontos de vista e opiniões. Muita coisa aconteceu nas últimas semanas, e é importante que você ouça, escute e também consiga expressar seus sentimentos”, disse Infantino em um artigo publicado no site da Fifa.

“Acredito que, seja na África, na Ásia ou no Caribe, todos reconhecem, aceitam e respeitam o trabalho transformador que temos realizado juntos nos últimos dez anos. Transformamos a Fifa, fizemos dela o que ela é hoje e é importante que sempre nos lembremos disso. Reforço novamente hoje aos membros da CFU: estamos aqui com uma missão, que é fazer o futebol crescer em todos os cantos do mundo.”

Na sequência, Infantino fez uma declaração que pode ser interpretada como uma crítica aos seus detratores.

“Queremos fazer o futebol crescer em cada um dos nossos 211 países no mundo”, afirmou. “Alguns, infelizmente, não precisam e não querem que os outros cresçam, mas precisamos diminuir essa distância entre os países muito grandes e todos os demais. Os maiores estão fazendo um ótimo trabalho, e nós os reconhecemos e parabenizamos, e eles também devem continuar crescendo, obviamente. Mas precisamos dar uma oportunidade a todos os outros. Precisamos encontrar investimentos para todos os outros — oportunidades para todos os outros.”

Pouco depois do encerramento da Copa do Mundo de 2026, Infantino anunciou a intenção de consolidar os direitos comerciais do Mundial — incluindo transmissão, patrocínio, venda de ingressos e licenciamento — em um novo empreendimento comercial e vender participações nessa empresa a fundos de private equity.

A proposta foi apresentada com o potencial de levantar bilhões de dólares, que poderiam ser reinvestidos no futebol.

A iniciativa, porém, não diminuiu o que muitos consideraram uma tentativa de entregar uma participação minoritária no maior torneio do mundo a investidores privados, que teriam seus próprios interesses.

Uefa, entidade que administra o futebol europeu, Concacaf e AFC (Confederação Asiática de Futebol) se opuseram unanimemente ao plano. A Uefa chegou a prometer um boicote às Copas do Mundo e a outros torneios da Fifa caso a proposta fosse levada adiante.

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